quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Miracleman: há algo de podre no reino editorial


Fonte da imagem: Google Street View

Acima, parte da Avenida Rio Branco, onde eu caminhava todos os dias ao retornar da escola, durante anos a fio. Nela, se encontravam as duas principais bancas de revistas da cidade, abarrotadas de gibis, revistas e muitos livros, especialmente de best seller (Paulo Coelho, Sidney Sheldon e John Grisham). Nos cantos da imagem dá para ver a traseira de ambas, funcionando ainda hoje. Mudaram bastante, claro, dedicando-se à venda de produtos vagabundos para tabacaria (seda, carvão, essências, Gudang Garam e Djarum Black etc.). Também há acessórios para telefonia celular e um monte de tranqueiras. Afinal, revista não vende muito atualmente. O mundo mudou.

Recordo como era gostoso sair da escola com dinheiro no bolso (passando fome sem lanchar por alguns dias) para comprar algum formatinho da Abril. Aquela época era boa para o leitor imberbe? Não. Formatinhos impressos em papel jornal, cheios de cortes e mal editados, custavam caro. As editoras nunca estiveram nem aí para nós, mesmo quando a Globo e a Abril bancavam todas as suas despesas editoriais apenas com gibizinhos. E a coisa não mudou nada, desde então. Benditos sejam a internet em banda larga, scans e tablets.

Após um imbróglio judicial envolvendo Miracleman - plágio de Capitão Marvel numa época onde tudo se plagiava - a família de seu criador Mick Anglo chegou a passar necessidades financeiras sérias e Alan Moore se manifestou a respeito, destilando ainda mais seu ódio contra as corporações de quadrinhos. Resolvida a querela, a Marvel finalmente pode editar o título, sob o nome definitivo "Miracleman". Todos aguardavam por isso, especialmente eu, apaixonado que sou pelas fases Alan Moore e Neil Gaiman. Então o que a Panini fez em terras brasilis? No auge dos encadernados, optou por formato canoa com grampos, em 16 números. Assim, o primeiro número teve capa variante, com a opção de uma metalizada custando R$ 13,90. Depois, o preço foi de R$ 7,50 a R$ 7,90. Não vou olhar preço a preço de cada número, mas daria uma média de R$ 129,00 toda a coleção, à época, para quem teve paciência de comprar em pedações, interrompendo a leitura com aquele continua na próxima edição quando poderia ter tudo isso num baita encadernado caprichado ou em dois, a preços similares. Sem contar que a versão HC é mais fácil de guardar do que várias revistinhas avulsas e mantem o estado geral da publicação mais conservado, mesmo com bastante manuseio, do que revistas fininhas grampeadas de capa mole sem orelhas.

Agora, seis anos depois (e olha que temos inflação vista a olhos nus e sentida na conta bancária que se esvazia fácil), a editora lança o material em encadernados. O primeiro está à venda por R$ 80,00. Quando vi aquele formato canoa à venda, pensei logo que seria para pegar trouxa. Pessoas, na ânsia de ler este gibi incrível, aceitariam tudo. São como Manuel Bandeira em sua ânsia pela Estrela da Manhã: "Digam que sou um homem sem orgulho / Um homem que aceita tudo / Que me importa?". Já conhecia esse "Shazam" de Anglo há alguns anos, devido a scans. Se a história tivesse saído em encadernados, teria adquirido. Repito: é um gibi notável.

Quando escrevi Eastrail 177 Trilogy e o Übermensch possível, resumi um pouco da genialidade de Moore ao aplicar seus princípios alquímicos (solve et coagula) neste personagem bobinho conhecido por Miracleman. Seguem alguns trechos:

"Vede; eu anuncio-vos o Super-homem: "É ele esse raio! É ele esse delírio!"

De Assim falou Zaratustra, por Friedrich Nietzsche

Em 1982, Alan Moore nos contou uma grande história de super-heróis. Nela, Micky Moran - homem de meia idade fora de forma que faz bico de repórter para sobreviver - descobre ser Miracleman, líder do time de "supers" cujas aventuras passadas ninguém recorda. Suas aventuras envolviam o que há de mais ingênuo no gênero. Para começar, recebeu seus poderes de um astrofísico que se tornou deidade e lhe deu a "palavra mágica" para quando precisasse salvar o dia. Não era Shazam, mas sim Kimota (atomik). Ele e seus amigos - incluídos aí Kid Miracleman e Miraclewoman (!) - viviam em luta constante com o maquiavélico Gargunza, gênio científico do mal. Para variar, ninguém se machucava realmente, todos contavam piadinhas em momentos de tensão e, no "número seguinte", o vilão retornava para encher o saco.

Mas como Micky Moran viveu tudo isso e ninguém se recordava da existência de superseres? Simples, as maravilhas existiam apenas em HQs infantis e ele foi cobaia num longo experimento, onde viveu quase oito anos em sono constante, sendo alimentado com aventuras pueris retiradas de gibis. Só que, um dia, ao se recordar de tudo, despertar na plenitude de seus poderes e buscar sua origem, os super-heróis e os megas vilões estarão no mundo real. Entretanto, as histórias não serão mais tão bobas: estupros (masculino e feminino), pedaços de corpos caindo dos céus, orgias celestiais e totalitarismo estarão presentes. E até mesmo suicídio do alter ego de Miracleman, numa das passagens que considero a mais tocante dos quadrinhos. Num dado momento, Micky Moran quer morrer: perdeu esposa e filha e se vê como inútil. Então, sobe uma montanha, retira as roupas e deixa um bilhete. Pronuncia a palavra Kimota e torna-se Miracleman. Este lê seu epitáfio e, desde então, nunca mais voltará ao corpo de Moran. Na mitologia criada por Alan Moore, a "transformação" se dá pela troca de corpos clonados, quando pronunciada a palavra-chave. Mike perecerá no limbo do infra-espaço, para sempre. Seria algo como Clark Kent se matar e deixar apenas Superman vivo.

"Suicídio" de Mike Moran em Miracleman #14

Acredito que não comprarei este gibi porque li e reli todas as fases Moore/Gaiman para o personagem. São obras brilhantes. Quem tenta encontrar pontos negativos nessa "desconstrução" (palavrinha banal, hoje em dia) narrativa possui mau gosto, quer chamar atenção ou apenas não leu direito, precisando empreender releitura. Além de evitar comprar livros e HQs por diversos motivos esmiuçados neste blogue, a nova safadeza editorial vem aí: aparentemente, este primeiro volume contará com quase 1/3 de extras. Sim, aquele monte de bobagem impressa para encher linguiça. O caso d'A Liga Extraordinária Volume I (Panini, 2010) ainda é emblemático, onde mais da metade do livro contou com extras (aproximadamente 200 páginas de material inútil). E Punk Rock Jesus (2018), também da Panini, com 1/3 de extras? Em resumo: a editora não se contentou em lançar Miracleman no formato canoa para ganhar mais, depois relançando tudo em encadernado. Neste, ainda encheu de extras para inviabilizar um volume único.

Como grande fã do ermitão pentelho, gostaria de ter Miracleman em encadernados. Entretanto, dispenso. Dinheiro está difícil, a inflação anda galopante - devido à pandemia de coronavírus e milhões impressos (além da dívida rolada) para custear auxílios e roubalheiras em Estados e Municípios. Não posso me dar ao luxo de comprar "extras" caros quando poderia ter toda a saga num volume único relativamente caprichado, ainda que com capa cartão, a preço justo.

No momento, todo o mercado editorial nacional é, para mim, decepcionante. Obras em domínio público impressas em brochuras vagabundas caríssimas, gibis caros com 1/3 de extras para inflar ganhos e impedir a publicação de algo em volume único, editoras e livraria chorando as pitangas enquanto seus proprietários ostentam vidas de luxo etc. Não dá mesmo para mim. Sequer tenho grana e espaço para comprar tanta coisa, quanto mais para ler e reler tudo o que desejo. Então apenas opto por não fazê-lo. Mas acho natural quem ainda se deslumbre com o acúmulo de publicações caras, pois sei que afaga o ego e dá um certo prazer tátil em relação ao possuir.

Abraços e... Kimota!

P.s.: Tomei conhecimento deste lançamento pelo blogue do Leo, o SubmundoHQ, único espaço que ainda acesso para saber das novidades do mercado.

11 comentários:

  1. Vai acabar acontecendo o mesmo que foi com discos e fitas cassete, com filmes em vhs e blu-rAy. O povo vai abandonar e migrar pra outras formas, no caso o scan e a internet estão aí. Não são a mesma sensação. Não mesmo. Mas cumprem a função.

    Hoje renovei a sky porque na verdade eu ia cancelar. Expliquei que tinha os streamings e não precisava mais da Sky. Me fizeram uma proposta muito boa mesmo, então continuei, pois o sinal ao vivo dos streaming trava e deixa a internet lenta. A Sky está vendo que se não se adaptar vai fechar. E que bom que ela resolveu enxergar. Pra mim é cômodo continuar com ela e ter minha internet para outras coisas.

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    1. Olá, Fabiano.
      E torço para que isso ocorra. Assim elas encontram logo o fim ou se reinventam. Ou melhor: aprendem apenas a fazer o básico, que seria respeitar o leitor. Esse Miracleman poderia sair em volume único facilmente, sem extras. Até mesmo no acabamento TP (fizeram um volumão com o Cavaleiro das Trevas no passado, em TP, e deu certo). Mas...
      Mas talvez isso ainda demore bastante, pois o consumidor de cultura pop é, em regra, meio lerdo, meio retardado das ideias, ficando de quatro para a indústria socar sem cuspe e ainda lambem as bolas de editores que estão cagando e andando para eles.
      Quanto à TV, já paguei uma há vários anos. Não vale à pena. Hoje há a opção das "caixinhas". E, no meu caso, nem vejo TV. No YT há mais conteúdo do que consigo dar conta. Mal assisto a 10% da Netflix e do Prime Vídeo.
      Uns nichos morrem; outros nascem. É o ciclo na vida digital.
      Abraços!!!!

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  2. Olá Neófito, espero que esteja tudo ok por aí.

    Realmente, o mundo mudou. E não foi pouco!!!!
    Lembro ainda hoje de uma banca, onde eu comprava revistinhas quando pequeno. Um senhor barbudo, cujo nome não me recordo, era o dono. Sempre me atendia bem, me mostrando as novas revistas, já que eu parecia interessado. Ele tinha a banca na garagem de casa e morava nos fundos, e eu morava a quase 10 km de distância, ia junto com meu pai, que trabalhava próximo de lá e me levava, as vezes. Hoje moro próximo do local desta banca, mas ela já não existe. O senhorzinho morreu e os filhos não levaram a banca adiante, creio que por acharem não ser um negócio com vida longa, tendo em vista o mundo atual, eletronizado.
    A banca mais próxima desta fica a duas quadras, nas proximidades de uma padaria. Seu dono faleceu este ano, dizem que foi do "covidão", mas tenho minhas dúvidas. Hoje quem fica lá é um parente dele, mas a maioria dos produtos que vendem são essas quinquilharias, e jornais, para os mais velhos, que ainda não se acostumaram ao ler online. As revistas são quase sempre as mesmas, há vários gibis antigos, que acho que jamais serão vendidos.

    ão sou de comprar muitos quadrinhos. Tive uma época de vício em mangás, e sempre achei que eles eram meio porcos, qualquer queda e lá se ia a capa. Amarelavam fácil, também, devido ao papel jornal. Além de ter sempre muitos capítulos. Alguns, como One Piece, estão sendo escritos até hoje. Por mais que eu tente, me nego a acreditar que exista tanta história, que ele não esteja inventando nada para continuar vendendo mais. Penso que sou o trouxa do elo, ele não me mostra o fim, e eu gasto meu parco dinheiro com a história, podendo colocar em outras coisas mais interessantes. Quadrinhos, cheguei a comprar alguns do batman, mas em capa dura. Ainda assim, são cheios de extras, pesados demais devido a quantidade excessiva de páginas, e com preços estratosféricos.

    Sempre tive a ideia de imprimir os livros que eu não tinha e fazer um encadernado de capa dura. Vi que você fez um vídeo dobre o assunto. Infelizmente, hoje nos proíbem até de imprimir, devido a direitos autorais, inpossibilitando isso.

    Tinha essa birra com os livros também. Faltavam capas duras no mercado, e as que existiam eram demasiadamente caras e feias. Surgiu na Cosac Naify uma esperança, como você já comentou em outro post. Mas infelizmente, esta também, assim como a banca, veio a falir e fechar.

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    1. No fim, acabei optando por tentar, o máximo possível, ler através de download. Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista) isso é possível. Sempre fui avesso a ler no computador, pois existem muitas distrações. Meu problema é sempre estar a um clique de outra página, de outra adrenalina, de outra imagem, de outra paisagem, de outro assunto, de outra qualquer coisa que nos oferecem.... mas venho me policiando. Tento deixar o pdf em modo leitura, cobrindo toda a página. Coloco uma música clássica ao fundo, bem baixo, e tento passar pelo menos meia hora sem sair do e-book. Venho lendo assim já faz um certo tempo, reduzindo bastante os gastos com papel e espaço necessário. Como tenho um vício por guardar, e não gosto de deixar na núvem, como os e-books da Amazon, guardo eles em um HD externo, e vou catalogando conforme o assunto.

      Outra vantagem é não gastar dinheiro a toa por achar que algo é bom e terminar com um livro ruim no armário. Simplesmente paro de ler e jogo na lixeira eletrônica.

      Infelizmente, hoje o mundo está muito diferente. Acho que não me adaptei a esta nova realidade. Acredito que sou inundado com diversas histórias e compromissos com ter de ser o melhor, ter o melhor, buscar excelência, entre outras coisas malucas e excessivamente maléficas (quando em excesso) que nos fazem crer ser necessário para viver. Viver passou a ser tentar ser o melhor, tentar fazer o máximo de coisas possíveis (as mais incríveis, se possível), estar no hype e viajar para os lugares mais exóticos possíveis. Me pego perdido, muitas vezes. A realidade fede, quando comparada a isso. A realidade nunca foi isso. E Nunca será. A realidade é tristeza, é estar atrasado para as decisões, é não ser o melhor e aceitar pois fez aquilo que podia, é não ser desejado e continuar, pois sempre há algo adiante.

      Acredito que o mundo só tende a piorar. Se isso é bom ou ruim, do ponto de vista mental das pessoas, só o tempo dirá. Enquanto isso, vou lendo o que me dá na telha e acreditando que, como dizia Fernando Sabino, " no fim sempre dá certo. Se não deu certo ainda é porque ainda não chegou o fim"

      Abraços.

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    2. Olá, Matheus!

      Grata satisfação em tê-lo aqui, como sempre. Aqui está tudo bem. Meio bagunçado devido a uma reforma na casa, mas como foi opcional não tenho o direito de reclamar. Finda a reforma, colherei os frutos. Na verdade, acho que este momento, mais do que nunca, é para fazer investimentos nisso: conforto e segurança. O resto é dinheiro que talvez não valha nem para papel higiênico mais à frente.

      Vi bancas morrerem. Antes de escrever este post, perguntei a um amigo de infância sobre uma certa banca (meio sebo, na verdade) onde costumávamos trocar e comprar gibis antigos. Era uma banca onde nos perdíamos de tanto material. Então meu amigo disse que ela fechou há tempos devido ao falecimento do dono. Sabe-se lá que fim deram ao material. E, claro, nenhum descendente tem dever moral de dar continuidade à nada. Quem morreu vai pra terra e os vivos vivam como quiserem.

      Os gibis eram quase todos vagabundos. Tenho ainda alguns com aquele “edição de luxo para colecionador” estampado. Tudo papel LWC colado. A cola secou há anos e as folhas estão todas soltas. Ao menos os com papel jornal preso com grampos duraram mais. Hoje, usam o “pisa brite”, acho. O papel jornal do passado era escroto.

      Vivemos uma boa época, no geral. Digo isso devido ao acesso à informação. Tivemos uma boa infância nas bancas de revistas, alugando VHS ou esperando algum filme na Tela Quente. Mas não tenho saudade daquilo a ponto de querer seu retorno.

      Não consigo ler em PC. Só em tablet ou Kobo. Desligo logo o wifi para evitar a tentação de me perder em algo paralelo. Um tablet com 10.5” foi um dos meus melhores investimentos!

      O mundo ficará cada vez mais confuso, perdendo-se em sua crescente complexidade. É um fenômeno que associo à entropia, simples assim. Há muita coisa ruim crescendo junto às coisas boas. Se não entrarmos um pouco na maré, ficaremos birutas. É aquela velha história: “não pense demais sobre isso”. Recordar é sempre bom. Mas só recordar mesmo.

      Acho que essa ostentação mundana sempre houve. Mas havia limitações diversas. As pessoas iam a Fernando de Noronha e “batiam” lá umas fotos para mostrar às visitas. Hoje, há muita oferta de voos e parcelamentos e a postagem da curtição é instantânea, para todos. E que bom! Aliás, se eu tivesse bastante grana, rodaria o mundo. Deve ser divertido. No geral, contudo, ando pensando bastante onde termina o mero compartilhar de uma fotinha para os colegas e acabar, na verdade, apenas ostentando algo vazio. Complicado.

      Agora, certamente, acho que as pessoas estão mais malucas. Andei falando com um pediatra e ele me confessou que acredita que metade de seus pacientes sofrem de alguma forma de autismo ou patologia similar. Então a coisa está piorando. E essas pessoas decidirão os rumos deste planeta. Felizmente, estarei decomposto quando tudo estiver no fundo do poço e sem chances de retorno.

      Li muito sabino na adolescência. Era quase obrigatório nos “paradidáticos”.

      Abraços!!!

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    3. Ah, seu exemplo sobre One Piece pode ser aplicado a tudo. É raríssimo ver algo longo porque realmente precisava ser longo. É que a indústria precisa continuar. Em seriados vemos bem isso: toda aquela produção deve ser sugada ao máximo. E olha que há mais de um século Edgar Allan Poe destacava que o homem moderno não tinha tempo para embromação e daí que toda prosa precisava ser curta. Hoje, as pessoas têm todo o tempo do mundo para consumir séries sem fim, comendo Doritos. A convid veio a calhar para muita gente...

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  3. a lacração não tem fim
    essa parte dos extras tá muito absurda - podim ter lançado um livro só de extras
    não duvido nada que daqui a uns anos lancem um edição definitiva sem extra em volume único
    já nem tenho lugar pros gibis na estante então pra mim é melhor assim

    abs!

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    1. Fala, Scant.
      Quem sabe a Panini não altera até alguns diálogos do Kid Marvelman, colocando em sua boca frases comumente usadas por Bolsonaro, como a P&N fez com Adolf, utilizando o "cidadão de bem" na boca de Hitler ou o "histórico de atleta"?
      Francamente, será até gostoso ver a bancarrota final do mercado editorial "do bem", mas que não pensa duas vezes antes de arrancar grana dos leitores com esses encadernados com extras e preços elevados.
      Tb não tenho mais espaço. Nem grana. Chega.
      Abraços!

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    2. não duvido nada
      daqui a alguns anos esse modismo de encadernados vai passar e teremos milhares de edições a preço de banana nos sebos
      pessoalmente, acho que scans são o futuro e esses gibis são apenas pra decoração/memoria afetiva

      abs!

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    3. Para mim, são o presente. Mas, claro, compreendo o que vc diz: irá se massificar.
      É justamente isso para mim. Guardo meus gibis por afeição. E só. Não faço questão de ter mais, nem um pouco.
      Abraços!

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  4. E aí, Neófito... blz?

    Brigadão mesmo pela consideração em acompanhar o meu trabalho lá no blog... Isso me deixa feliz, pois vejo q o esforço em ainda lutar pra manter um blog vivo nos dias de hj tá valendo a pena sim. A gente (nós, blogueiros) lutamos contra a falta de tempo (no meu caso: trabalho incessante pra pagar as contas e dívidas milionárias com os bancos, criar um filho pequeno de quase 3 anos q é o Pimentinha escrito e tem como diversão me acordar nas poucas horas q tenho de sono, e disputar atenção com a modinha do momento q são os canais de youtube e as redes sociais). Não é à toa q mtos blogueiros tombaram pelo mesmo caminho tortuoso q percorremos, rs!

    Enfim... voltando ao "Homem-Milagre": Tá uma putaria mesmo esse esquema de vender "EXTRAS" desnecessários embutidos e encarecendo gibis q já seriam caros naturalmente. O OMNIBUS do "CONAN" é o melhor exemplo disso: Foram quase 200 pág de extras, sendo q a maioria SEQUER foi traduzida no Brasil - Os defensores ferrenhos da pirinini alegam q eram fotos de revistas gringas e q em nenhum outro país foram traduzidas tbm. Ora, então pra q publicar? Tirassem essas 200 pág de material extra e barateassem o produto então (q já batia na casa dos 200 contos tbm)!

    A impressão q fica é q as editoras nacionais realmente NÃO QUEREM mais lidar com a classe média (os pobres nem entram na conta já há uns bons anos)... eles só querem o carinha q vai todo ano na CCXP e gasta 400 reais só em ingressos, 300 bonoros por 1 autógrafo (depois de passar 4 horas numa fila), 800 reais pra mais em hospedagem (pra quem vai de outros estados), e sacolas e sacolas de gibis. ESSE é o público-alvo q interessa à panini e as demais editoras. e é um público q existe e faz circular mais de 15 MILHÕES em cada CCXP!

    Eles são os 5% da fatia de colecionadores do país... os outros 95% não estão mais no radar das editoras. Prova disso? Bem, acabaram com as mensais de linha e o gibi mais barato da panini agora vai pra 20 pila!

    Em tempo: nunca fui numa CCXP (antes q alguém q esteja lendo isso pense em me chamar de hipócrita, rs - até gostaria de ir, mas eu precisaria de um 2º emprego, rs)!

    Abs!

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