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sábado, 24 de abril de 2021

Todo brasileiro tem direito a um e-mail grátis

 

Essa tela inicial...

Em meados do ano 2000 (acho), cadastrei minha primeira conta de e-mail. Tratava-se do BOL, Brasil On Line, cujo slogan era "Todo brasileiro tem direito a um e-mail grátis". Salvo engano, na época, eram 2MB de espaço e isso era suficiente. Mais do que a capacidade do disquete 5 1/4, o usual para transporte de dados em minha juventude. E eu o acessava no Outlook Express! A coisa era chic.

Fundado pelo grupo Abril, celebrou joint venture com o UOL logo no primeiro ano de existência e, hoje, pertence integralmente a este, integrante do grupo Folha. Por ter sido inovador no serviço de e-mail gratuito, têm em torno de 15 milhões de acessos por mês à sua página inicial. Eu mesmo a acesso todos os dias, mais de uma vez, para checar mensagens. Assim, aproveito e vejo as principais notícias da página inicial, clicando eventualmente em algum link.

Durante um tempo, tentei usar o aplicativo de mensagens, para baixá-las sem ir à página. Mas era horrível. Todo bugado. Aí desisti e voltei à versão web. Aliás, a página é eficiente para checar e-mails mesmo na versão para celular, no navegador. Meu apego ao BOL foi tão grande que, até pouco tempo, foi minha conta de correio eletrônico padrão. Passei vinte anos apenas a utilizando. Precisei cadastrar outras por aí, mas apenas para fins de Android, Blogger e trabalho.  Todos os meu cadastros contavam com o e-mail Bol.

Em meados de 2019 a 2020, o BOL passou a anunciar que apenas assinantes poderiam ter acesso à leitura e envio de mensagens por seu aplicativo, o qual não presta e talvez por isso pouca gente tenha aderido. Para mim, então, tudo ok. Mas este ano tomou o passo decisivo para nos afastar de sua página: a capacidade reduzida de 6GB para 200MB. Considerando spams, lixeira e arquivos salvos (muita coisa de vários anos), fiquei bloqueado de receber mensagens novas logo no primeiro dia. Precisei limpar toda a lixeira e quarentena e enviar meus e-mails salvos para minha conta funcional (onde possuo 30 GB de espaço).

Em modificações anteriores, passaram a oferecer 200MB apenas a novos cadastrados. Mas, agora, jogaram o mesmo limite até aos antigos usuários. Certamente, manter servidores custa caro. Mas só de pensar que o Gmail oferta, gratuitamente, 15GB, faz pensar na mesquinharia que são 200MB. Em breve pesquisa, vi que a Colony Capital comprou a operação de data center do UOL por algo em torno de dois bilhões de reais. Talvez as mudanças se devam a isso.

Deu e está dando bastante trabalho, aos poucos, modificar toda uma vida de cadastros variados. Agora, o e-mail funcional será o padrão, pois não penso em mudar de emprego, há mais de década não estudo para concurso e, acaso viva bastante, só me aposentarei na idade limite (hoje, 75 anos).

A empresa não possui nenhuma obrigação em me dar mimos e e-mail gratuito de 6GB. Mas, francamente, isso foi estúpido. A maior parte desses 15 milhões de acessos à página, consumindo sua publicidade, se deve justamente às antigas contas de e-mail. Falo por mim. Estou migrando tudo para conta funcional e, em breve, jamais acessarei o BOL. Logo, jamais acessarei às notícias do portal e isso, no longo prazo, será sentido em seus ganhos publicitários.

Enfim, foi uma boa relação de duas décadas. Sentirei saudades.

quarta-feira, 31 de março de 2021

ASMR da putaria

"Quenga! Você é quenga!"

Perpétua Esteves Batista

Quando pesquisei para escrever sobre esquisitices de ASMR, encontrei a subcategoria da sacanagem. Certamente, isso não seria de estranhar. O mundo é movido pelos desejos: comida, drogas e sexo, essencialmente. No âmbito masculino, penso que poucos homens se esforçam tanto na vida apenas para conquistar bons empregos e ter grana como forma de aprimoramento pessoal e para viverem existências seguras e confortáveis. A maioria apenas rala para ter mulher (às vezes, outros homens e travestis, também). É como naquele episódio do Pica Pau, onde o taxidermista delira com bastante dinheiro para ter iates, mulheres, mansões, mulheres, carrões, mulheres e por aí vai.

Mulheres são "hipergâmicas" (nem sei se essa palavra existe) por natureza. É quase antropológico: a função do macho em suas vidas é, em regra, prover. Raramente toparemos com mulheres bem sucedidas convivendo com pés-rapados. Já os homens... Conheço um médico na minha cidade que está no quarto casamento - infartado - e pagando pensão a todas as ex-madames. Ele até havia se submetido à vasectomia após o quinto rebento, mas achou outra novinha e desfez o procedimento. É curioso como alguém se torna cardiologista numa época onde existiam poucos cursos de Medicina para, depois, fazer tanta lambança com a própria vida. 

Voltemos ao assunto da concupiscência e ASMR: neste sub nicho, mulheres gravam sons em alta definição para estimular pirocas. Em sites pornográficos, encontramos bastante material assim (sim, fui a fundo). Mas no YouTube afloram moçoilas embolsando grana para fazer barulhinhos sensuais. Confesso que não vi graça naquilo, mas certamente é mais satisfatório do que os demais "profissionais" especializados em fazer chiados com a boca e objetos variados. 

É isso. Só queria utilizar o refugo de minha "pesquisa" para, aqui, citar mais esta faceta do planeta doentio onde habitamos. E continuo torcendo pela inversão dos polos magnéticos da Terra.

Abraços pervertidos e até a próxima.

P.s.: Como os vídeos possuem restrição de idade na plataforma, mesmo incorporados aqui é necessário o login em sua conta "maior de idade" para acessá-los. Como se isso servisse de restrição para alguém...




domingo, 28 de março de 2021

Música ambiente e paisagem sonora

 


Foto de jonas mohamadi no Pexels

Quando eu era guri, adorava aquele comercial da Philco Hitachi onde o cidadão quer descansar ouvindo a belíssima suíte Peer Gynt de Edvard Grieg, pausa para atender ao telefone fixo, vem um passarinho pela janela e dá o play. Não se fazem mais comerciais como antigamente. Até isso ficou ruim rapidamente, como se todo o mundo estivesse apodrecendo. Eu gostava da propaganda porque desejava aquele aparelho de som e porque, mesmo sem saber quem foi Edvard Grieg, gostava da música. Lembro daquele comercial porque ele possui relevância com esta postagem: a música como veículo de/para relaxamento.

Sempre gostei de ouvir músicas durante prática de alguma atividade, seja doméstica ou funcional. Acho que a maioria das pessoas ouvem música enquanto cuidam da casa ou desempenham suas atividades profissionais, dentro do possível. No entanto, a música ambiente permanecia fora desse hábito. Não sei bem a razão, mas eu possuía o mau hábito de excluir totalmente a música ambiente de meu cotidiano, pois parecia algo mais destinado a espaços de uso coletivo, onde o som precisa ser neutro. Eram a tais músicas para cafeterias (isso quando não falavam em música de elevador, no passado). Hoje, som "neutro" em espaço coletivo é pancadão ou sertanejo. As pessoas que ouvem bosta fazem questão que você também ouça.

Há certo tempo (não muito), passei a encontrar em relaxantes músicas ambientais verdadeiras muletas para o estresse cotidiano. De certa forma, foi uma migração natural da música clássica (principalmente Bach e Wagner, meus compositores preferidos) para outros modos mais "pop". Assim, passei a consumir regularmente trilhas de cinema (Thomas Newman, Hans Zimmer, Danny Elfman etc.) e sons editados com o único intuito de trazer ao ambiente certa quietude.

A melhor definição para música ambiente encontramos na magnânima Wikipédia: "é um gênero musical substancialmente focado nas características timbrais dos sons, geralmente organizados ou executados com o intuito de se denotar ou estimular a criação de uma "atmosfera", uma "paisagem sonora" ou mesmo para apenas soar como um "discreto complemento” a uma ambiência".

Quando voltei a jogar videogame, conheci o grande nicho de pessoas dedicadas a isolar sons ambientais de jogos eletrônicos, paralisando a gameplay num dado momento, e captando sons agradáveis. Acredito cada vez mais na utilização destes recursos sonoros para preencher o ambiente enquanto trabalhamos. Se em casa, melhor ainda. Tranque-se no seu muquifo destinado à santíssima atividade de ganhar o pão de cada dia, elabore playlist no YouTube e a ouça, por qual via for. Vario entre celular (não é bom porque precisamos muitas vezes acessá-lo durante o trabalho) ou outro dispositivo móvel independente (costumo usar o tablet). Também podemos transmitir para a TV ou aquelas caixinhas eficientes via bluetooth. Possuo uma ótima caixa JBL, mas a evito porque não preciso de toda sua potência e qualidade para algo tão simples. Em regra, qualquer aparelho mais modesto atende a tal necessidade. Também podemos utilizar saídas de áudio do próprio PC, mas percebo que PCs com saída de áudio (nossas amadas caixinhas do "kit multimídia" do passado) estão cada vez mais em desuso. A maioria dos computadores all in one, percebo, estão vindo sem saída integrada de som. Quanto a notebook (equipamento que não gosto), o som ficaria muito diretamente sobre nós, então também o excluo.

O importante, claro, é ter acesso a uma fonte decente de som ambiental, seja qual for. Acima, só falei um pouco sobre meus hábitos. E citei o YouTube porque assino o serviço Premium para toda a família (dá para seis contas simultaneamente, o que é bastante) e não sou interrompido por propagandas. O pior da publicidade no Youtube é o excesso, o tempo de publicidade e, durante uma música relaxante, ser surpreendido com uma peça publicitária sertaneja sem nenhuma relação com o que você estava ouvindo. Às vezes, ainda acesso o YouTube diretamente na TV, sem algum conta logada, e me parece que o excesso de publicidade conseguiu se tornar pior. Mas, certamente, também podemos recorrer a mídias físicas, arquivos baixados ou outros serviços de streaming, como Spotify e Amazon Music.

Amiúdes, se ainda não recorreu à música ambiente em seu cotidiano, vale a pena tentar, especialmente enquanto trabalha. Se estiver num ambiente coletivo, use fones (bagulho que não suporto por muito tempo nos ouvidos). No conforto de sua casa, deixe circular pelo ambiente. Certamente lhe trará mais qualidade de vida.

Abaixo, selecionei o comercial mencionado no início deste post e quatro músicas/sons/paisagens retirados de jogos eletrônicos. Isso é pessoal, claro. Escolhe o que te faz sentir bem, este é o objetivo.

Abraços melódicos e até a próxima.





quinta-feira, 11 de março de 2021

NFT e o mundo estranho

 

Como entusiasta de tecnologia, mesmo sem poder acompanhá-la em toda sua evolução, ainda me assombro com os rumos que a mesma às vezes dá às nossas vidas. Mas convenhamos: é assim com toda ferramenta, seja mecânica ou eletrônica. Só cruzamos os dedos e esperamos o melhor.

Admiro a tecnologia blockchain porque tudo o que seja descentralizado é bom. Nunca devemos depositar poderes excessivos em mãos de apenas uma autoridade certificadora. Espero que mais à frente todos os atos notariais da vida brasileira sejam facilitados por chaves públicas em redes descentralizadas e nos livremos de uma vez por todas de cartórios; e que órgãos públicos também se tornem cada vez mais evidentemente desnecessários (a maior parte é inútil). Mas isso ainda demorará e talvez nem venha a ocorrer, pois o Poder não admite vácuo e, cedo ou tarde, talvez consiga se fazer presente até mesmo no que seria a esperança de descentralização. Como isso seria possível? Não sei. Qualquer dia a China ou outra grande potência crie um agente potencialmente malicioso que leve a tecnologia ao descrédito. Não parece impossível, como alguns alegam.

Dentro da plataforma Ethereum, a chave eletrônica evoluiu para tokens não fungíveis (Non-Fungible Tokens ou NFT). Utilizo token (dois tipos) para trabalhar - numa rede centralizada, obviamente. E são apenas sequências numérico alfabéticas, até onde posso compreender de uma forma simplória. Com os NFT a coisa cresceu. Agora, podemos celebrar contratos em blockchain (transmissão de um carro, por exemplo, onde desde o objeto até as parte envolvidas teriam suas chaves e isso seria, em tese, inviolável). E mais: artistas poderiam vender seus trabalhos originais (desenho, música etc.) eletronicamente. Comecei a me interessar pelo tema, penso, no início de 2019, mais por curiosidade jurídica. E depois percebi todo um futuro de possibilidades onde qualquer Zé da Silva poderia ganhar a vida sem recorrer a galerias, estúdios e padrinhos culturais. Isso é positivo, claro.

Entretanto, atualmente, falar em trilhão de dólares é café pequeno. Qualquer coisa dará trilhão, até valor de empresa falida. Isso se deve ao excesso de moeda sobrando e nos levará à mãe de todas as bolhas e sofrimento humano. E aí entrou, também, o mercado da cryptoart e dos ativos digitais. Andei sondando e percebi que figurinhas (sim, figurinhas feitas por qualquer um, mesmo sem talento) andam custando milhões de doletas e sendo comercializadas graças à tecnologia dos NFTs (o arquivo é anexado a uma chave única, por assim dizer). E, agora, a humanidade chegou ao ponto de destruir obras físicas para digitalizá-las e vendê-las enquanto chave eletrônica. Fizeram isso com trabalho de Banksy e valorizaram de US$ 95.000 para US$ 382.000. A transmissão da destruição realizou-se ao vivo. Antes de queimar a obra, digitalizaram-na e lançaram como token. Fazendo um juízo puramente axiológico, isso foi grotesco.

O mundo da arte sempre possuiu esquisitices, principalmente quando grandes investidores compram lixo, estocam, pagam críticos para elogiar o artista e depois veem os preços subirem, até mesmo recomprando-as no anonimato várias vezes para, finalmente, repassar a outro endinheirado. Assim é que há privada com flores plásticas a preço de ouro. Mas, graças à tecnologia NFT, isso ficará mais estranho.

No mundo do "deu trilhão", faltará comida e água potável. Mas teremos figurinhas digitais vendidas por milhões (ou bilhões) e obras de arte sendo arruinadas. Até hoje, não sabemos quem é Banksy, mas penso que até ele deve estar assustado com tudo isso. Ou sorrindo enquanto entorna doses de uísque "dubom" e aguarda o fim da merda toda, lembrando que ele já vendeu obra que se autodestruíra, pela metade, logo após a arrematação. Mas aí restou o objeto tátil e a metade emoldurada carregou significado: amor.

Falando ainda em tecnologia, a computação quântica está batendo à nossa realidade e, penso, não irá sobrepor apenas dígitos, mas, sim, conceitos. Será uma consciência. Os resultados não serão mais "falso/verdadeiro", "positivo/negativo", mas "talvez". E, vendo o que fizemos com o mundo físico, talvez esses cérebros serão melhores do que nós. E inteligências artificiais poderão se alimentar de token de feijão e arroz; nós, não.

Abraços fungíveis e até a próxima.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

ASMR: uma sociedade doente

 

Estava de boa vendo porcarias no YouTube quando topo com o comercial d'O Boticário, especificamente de sua linha Cuide-se Bem Boa Noite. Senti uma agonia tremenda - do dedão do pé ao último fio de cabelo que não possuo. Nunca vi comercial com sons e voz tão irritantes. Então sempre que começava a propaganda infeliz, tacava logo o "pular anúncio". Depois, fiquei curioso como alguns publicitários apostaram em algo tão chato. E resolvi pesquisar. Primeiro, conferi no canal da marca e li penca de elogios à produção. Entre os comentários, descobri que a vozinha irritante seria de uma grande youtuber especialista em ASMR (acrônimo em inglês para Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano). Esse "Meridiano", creio, deve ser referir a cu, pois ele trinca a cada suspiro e estalo de língua no microfone de alta sensibilidade.

Acredito realmente que consumidores de ASMR possuem alguma doença emocional. Algumas pessoas alegam apenas conseguir dormir após ouvir porcarias do gênero. Desde 2019 essa sigla chegou até mim e optei por simplesmente esquecer mais essa asneira, assim como não perco tempo com teorias de gênero e pronome neutro. Só que a coisa está crescendo e grandes marcas passaram a botar grana nisso e nos forçar a ouvir tais bobagens em comerciais. Talvez não seja apenas O Boticário...

Acredito realmente que o crescimento desse setor ASMR denota uma sociedade doente. Acredito que se ajuda alguém a relaxar, poderia, a princípio, ser positivo. Melhor do que recorrer a cigarros ou ansiolíticos. Entretanto, quando milhões de pessoas alegam apenas dormir ouvindo sons irritantes, é porque a situação está feia e os trancamentos devido à pandemia estão fodendo mais pessoas do que poderíamos supor. E fico recordando meu avô, que todo final de noite tomava uma lapada de cachaça antes de dormir, para acordar antes do sol nascer e produzir em sua marcenaria. Hoje, os adolescentes de trinta anos de idade (alguns até mais velhos) tomam ASMR para "mimir" e continuarem inúteis no dia seguinte.

E se você alega se irritar com os vídeos abaixo, a trupe adoentada tem diagnóstico pronto: misofonia. O sujeito pode adormecer ao som de chuva, vento, folhas de árvores balançando e até mesmo com aquele barulhinho urbano. Mas não: essas coisas irritam-no, exceto ASMR. E se você não curte gente chupando a própria língua, roçando dedos e sussurrando com cuspe na boca, é porque sua misofonia é severa e requer tratamento.

Abaixo, destaco o bendito comercial bem como, a seguir, selecionei algumas pérolas do segmento, consideradas verdadeiras obras primas pelos consumidores desse material horrendo.

Se o Reich possuísse tecnologia de áudio para reproduzir os sons abaixo em alto falantes, os blitzkrieg sequer precisariam de bombas e os nazistas teriam ganho a guerra. Winston Churchill assinando a rendição do Reino Unido com tampões nos ouvidos! Falando em guerra... andei pensando como o ocidente estaria fodido frente a uma. Enquanto a China proíbe meninos de serem frouxos, os nossos só dormem ouvindo careless whisper. Acredito que nem punheta esses guris batem mais antes de dormir.

Abraços irritantes e até a próxima.

P.s.: os vídeos abaixo foram selecionados unicamente para fins de ilustrar a postagem. Todos foram postados de forma pública e, se estão aqui integrados, é porque os autores autorizaram a função na plataforma. São obras "culturais" (produtos de consumo realizados por pessoas etc.) e toda conduta humana está sujeita a críticas. In casu, durante toda a postagem me referi à carência afetiva quase patológica da sociedade atual, quando necessita consumir este material. Em momento algum, me volto contra, de forma negativa, produtores de conteúdo digital, desde que seja conteúdo lícito. Estão aí ganhando grana a rodo com ASMR e, de coração, torço para que abarrotem ainda mais os bolsos com tudo isso. Ratifico que possuo ranço por ASMR e acho deprimente seu consumo. Contudo, cada um no seu quadrado e vida que segue.

 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Para baixo e avante!

Shiny happy people: assim será o mundo pós Great Reset.

Crédito da imagem: Helena Lopes no Pexels

Vi por acaso o vídeo abaixo, daqueles que explodem em nossa cara quando acessamos redes sociais. Depois fui ao YouTube procurá-lo. E o que resultou desses trinta segundos? Assombro. Cada vez mais, me convenço que a grande crise do dólar se aproxima e o mundo, em breve, entrará numa crise que, próximo da Quinta-Feira Negra, terá esta como mero incômodo financeiro global. Nunca se imprimiu tanto papel colorido sem lastro. As impressoras de bufunfa estão a todo vapor e os governos rolam dívidas ao infinito e além. Seguindo a euforia, o mercado financeiro recebe boa parte dessa grana lastreada em cocô e ações de empresas falidas atingem picos sem precedentes.

Um colega de trabalho vendeu dois imóveis nos últimos meses e aportou quase toda grana em ETFs super garantidos em dólar. Ele investe nos estêites e deve saber o que faz. Contudo, fiquei realmente assustado com esse comportamento. Sem contar que um dos imóveis lhe rendia doze mil reais ao ano de aluguel. Se eu tivesse grana, teria lhe comprado os amontoados de aço, terra, blocos e cimento.

No vídeo a seguir, a jornalista pergunta a Jen Psaki sobre a atuação governamental diante de casos como o ocorrido na compra de ações e opções da GameStop, uma pequena rede de jogos eletrônicos fodida que quase levou à falência o fundo Melvin Capital Management. A história é longa e tomei conhecimento do fato há poucos dias, assim que o bagulho explodiu. Basicamente, o fundo apostou na queda de ações da rede GameStop e milhões de pessoas se uniram para quebrá-lo, fazendo as ações subirem e colocando o fundo de hedge em maus lençóis, ao precisar cobrir opções a maior. Foi uma resposta aos abusos dos grandes investidores que manipulam mercados e levam pessoas à ruína. Aliás, essas pessoas manipulam até o Bitcoin e os entusiastas de criptomoedas acham tudo lindo: "Olha só, grandes investidores abriram os olhos para as maravilhas do Bitcoin". Vai vendo...

Ao ser abordada sobre esse e outros e fatos, a porta-voz da Casa Branca sambou na cara da sociedade patriarcal burguesa opressora, lacrou bonito, dizendo que agora eles têm uma mulher à frente do Tesouro e que ela certamente deveria estar monitorando tudo. E fim de papo. Esse é o jeito lacrador do governo Biden-Kamala resolver os problemas: "Calma, estamos lacrando: temos uma mulher à frente de tudo, sabia?".

O mundo está colapsando. O donos da Terra falam abertamente no que antes era mera teoria da conspiração: grande reset, transhumanismo, existência sem propriedade privada (para o populacho, claro) e tudo mais o que, nas bocas dos gurus conspiracionistas, era tido como delírio. O coronavírus caiu como luva para globalistas e sua sanha por reengenharia social: pessoas saudáveis trancadas em casa, usando máscaras (a Jen Psaki faz questão de usar duas quando dá entrevistas), se aglomerando para votar mas com medo de ir às escolas. Daqui a pouco, pularemos numa perna só quando recebermos algum comando pavloviano. Mas tudo poderá ficar bem, pois o governo americano possui uma mulher à frente do cofre.

Se você tiver grana, comece a pensar em adquirir bens sólidos e a aprender algo realmente útil e prático. Talvez nos próximos cinco anos tenhamos que caçar para comer. Quem sabe quando vier a Covid-25...

Abraços pavlovianos e até a próxima.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Pix e o imortal


Calma, John. É só um Pix.

No bobinho - porém, agradável - filme O Homem da Terra (2007), o protagonista que afirma viver há mais de 14.000 anos diz que era fácil sobreviver, desde que se mantivesse em constante movimento. John Oldman, contudo, passou a ter problemas com a burocracia do Estado moderno. Para se manter na obscuridade, necessitava de algo mais difícil do que enfrentar animais selvagens, tribos e guerras. Ele, agora, necessitava de papéis para tudo: identificação, trânsito, moradia e exercício profissional. Como pontuou Olavo de Carvalho em O Jardim das Aflições (não o livro, mas o filme de Josias Teófilo), qualquer governante contemporâneo possui mais poder de controle do que jamais sonharam Átila ou Gengis Khan.

Nossa moeda caminha para se tornar integralmente digital. Com o cadastro de chaves Pix, faremos transações rápidas e sem custo (em tese) a partir de smartphones, independentemente das instituições bancárias ou financeiras. Você comprará pipoca e bastará ler o QR Code do pipoqueiro. Praticamente todo mundo possui telefone celular. Resido em um bairro muito pobre, onde nasceu e cresceu minha esposa, mas desconheço, nele, quem não possua telefone celular (em regra, iPhone). O cadastro de chaves ainda não é obrigatório. Mas você acabará se rendendo a tal sistema de transação, a fim de facilitar sua vida e não se ilhar do mundo.

Algumas pessoas alegam que, com isso, o Governo controlará sua vida junto às corporações financeiras. Isso é óbvio. Mas me pergunto: e daí? Já sou totalmente controlado em meus rendimentos, dívidas e gastos. Não sobrevivo sem cartão bancário, de débito ou crédito. Meu imposto de renda é retido na fonte e preciso expor meus gastos ao Tesouro para tentar não pagar mais ou, quem sabe, ter uma merrequinha de retorno na restituição. Liberdade é ilusória, apenas engodo moderno. Apenas criminosos possuem algo próximo da liberdade, no mundo atual. Hoje, com "crise sanitária", Prefeitos querem nos proibir até mesmo de sentar no banquinho da praça para tomar sol. E mandam a guarda civil descer a lenha nos arredios. Contribuinte é capacho, simples assim.

O Estado hightech não é apenas empecilho para os imortais como John "Velhote". É para todos nós. De resto, adorei a vinda do Pix. Tenho minha vida controlada em todos os seus aspectos pela burocracia estatal e dependo das grandes corporações para sobreviver. Então terei ao menos uma ferramenta para transações, que poderá ser utilizada a qualquer hora do dia e, aparentemente, sem custo material. E sem o risco e a necessidade de andar com dinheiro em espécie. O imortal de O Homem da Terra também ficaria satisfeito, pois seria um problema a menos na hora de realizar TED ou DOC.

E, acerca de O Homem da Terra, há anos que o vi, tão logo fizeram certo hype quando de seu lançamento. Ao escrever esta postagem, verifiquei estar disponível, com boa resolução, no YouTube.

Abraços mortais e até a próxima.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Novas facas, preparação et cetera

 

Duas armas letais.

Foto de Bia Sousa no Pexels

Este é o último diário de quarentena que faço porque o tema realmente esgotou. E, repito: nunca fiz quarentena. Mas, felizmente, me preparei um pouco e - mesmo talvez sendo chamado de exagerado - estoquei comida e não fiquei de trouxa pagando mais caro por arroz e feijão por aí, tampouco por carne - bastando pedir à sogra por um porquinho gordo ou galinha sem hormônios artificiais. Meu reforço na geração própria de energia foi um ótimo investimento. Aliás, a crise energética no Amapá está aí para mostrar o que ocorre quando você confia no Estado, lhe dá 50% de seus rendimentos e só recebe pirocada no redondo.

Quem acha que sempre haverá fornecimento de água e energia a preços justos bem como comida farta e barata no sacolão da esquina, tanto faz. Não perco mais tempo dando sugestões pessoalmente a colegas. Prefiro curtir um dia de cada vez, mas com os pés no chão. E, quem acha que tudo se resolve dentro de seu tempo e que governos e corporações nos amam... só posso sorrir.

Confesso que este foi um bom ano para mim. Falo sério. Fiquei preocupado com a educação de minha filha, no início. Mas cancelei sua matrícula logo no segundo mês de "pandemia" e, desde então, ela recebe aulas particulares diárias e teve excelente rendimento. Melhor do que na escola, aliás. E, como barnabé, recebi religiosamente meu suado dinheirinho, todos os meses, inclusive com todos os penduricalhos devidos.

Algumas pessoas sofreram e sofrerão. Negócios foram para o brejo, cidadãos caíram em depressão e até mesmo suicídios. Mas, o que fazer? Somos uma nação de mariquinhas como tantas outras. Como falou o Presidente da República na "reunião secreta" divulgada para o mundo, é muito fácil meter uma ditadura aqui. Basta o Prefeito mandar a guarda civil meter o sarrafo por você tomar sol na pracinha local. E ninguém fará nada. Neste ano, vimos policiais atirando em adolescentes que queriam surfar, senhoras apanhando no meio da rua porque estavam arejando as ideias num banco de praça e a PM invadir residências, à noite, para acabar com reuniões pacatas e cultos religiosos.

Enfim: fico triste pelos que sofreram. Mas... sejamos menos covardes, né? Já falam em nova onda do coronga e os gestores matreiros que estavam aglomerando nas eleições já querem loquindau e inflar dados de mortos para angariar grana fácil no combate à "pandemia". A roubalheira deste ano não foi suficiente.

Falando em preparação (me interesso por sobrevivencialismo há anos), comprei novas lâminas para a coleção e só não comprei mais munição porque fechei a cota. Mas janeiro está aí e, se puder, estocarei o possível de "bala" (como dizia meu avô, bala é pra chupar). Nos vídeos abaixo mostro as novas facas do acervo, compradas em viagens - aliás, ótimo ano para viajar; tive a oportunidade de ir a lugares maravilhosos, resorts etc., a preços baixos.

O ano seguinte se nos mostra perigoso. Kamala Harris possivelmente estará à frente na nação mais poderosa deste planeta e certamente fomentará a divisão social americana, triplicará o tamanho do Governo Federal e possui nas mãos as chances de arruinar a economia norte americana, o que terá reflexos sobre nós. Isso se não impor sanções econômicas em nome de "save amazon rainforest". Alguns prefeitos e governadores tentarão forçar loquindaus sobre nós, trouxas, que aceitaremos mansamente.

Em resumo: se você achou este ano estranho, prepare-se para o próximo, quando não haverá sequer auxílio emergencial às massas. Ou não: ache que o Estado cuidará de você e sua família e tire sarro de quem acumula banalidades como itens de sobrevivência.

Eu gostaria de ser rico e possuir búnquer subterrâneo com vários níveis, filtros de ar, fonte natural de água, uns 15.000 kw de geração de energia por mês e, se filiado a clube de tiro, arsenal e paiol de dar inveja a muita unidade do Exército. Mas me contento com três oitão, espingarda, algumas facas, muros altos e cerca concertina. Melhor do que nada.

É isso. Abraços corongados e até a próxima.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Recado telefone sem fio a Adolf

 

Valorize seu dinheiro.


Não se pode traduzir sem dignidade.
Millôr Fernandes

Antes de mais nada, para quem desconhece a brincadeira telefone sem fio, onde a informação se perde em sua transmissão, confira a Wikipédia.

Acho que poucos se recordam, mas a editora Pipoca & Nanquim nasceu como um portal, há alguns anos. Em seu primeiro ano de funcionamento, fui colaborador do espaço, chegado a publicar algumas matérias, ali, sobre cultura pop em geral. Era o melhor site do gênero. Tenho saudades, especialmente, da seção Minha Estante, onde alguns leitores mostravam suas prateleiras e rememoravam histórias de leitor/colecionador de quadrinhos e apontavam aquelas edições mais especiais.

Hoje, o P&N é uma editora que capricha em suas publicações, totalmente voltada ao público endinheirado, colocando à venda publicações caras e caprichadas, com excelente acabamento e projeto gráfico "do bão". Sou grande defensor do capricho editorial. Falei bastante aqui que, em tempos de leitura digital gratuita e com a oferta de dispositivos cada vez melhores e mais acessíveis para ler scans, o material impresso deve atrair pela qualidade gráfica. Obviamente, estou inserido no que chamam de classe média e posso pagar por isso em modestas parcelas no cartão de crédito. A maioria, não. Contudo, penso que o discurso hoje difundido por editoras como a P&N não condiz com seu público pagante, tampouco com o poder financeiro que certamente a empresa possui e o quanto seus donos lucram com isso. Não me estenderei muito sobre tal assunto. Acerca disso, recomendo a postagem Ayako, O Relatório de Brodeck e o ceticismo.

Acredito que, cada vez mais, os admiráveis mundos previstos por George Orwell e Aldous Huxley podem ser ser vistos em diversas esferas da informação. Nos quadrinhos, gosto bastante de usar como exemplo o que se tornou a Turma da Mônica, e.g.. No romance 1984, por exemplo, o vocabulário é flexível de acordo com aspectos sociais para atender à agenda do totalitarismo socialista ali descrito. Exemplo: não existem palavras como ótimo ou excelente. Você utiliza fórmulas que laceiam a mente humana (novilíngua). Se algo é ótimo, seria plusbom. Excelente? Dupliplusbom. E por aí vai. As histórias também são reescritas, das mais banais aos cânones. Assim, na criação de Maurício de Sousa (grande representante, hoje, do progressismo extremo em ação), não existe a palavra “azar”, por exemplo, mas, sim “má sorte”. Os requadros são modificados e armas desaparecem, dentre outros objetos. Houve uma história em especial onde o Dudu brincava com arma de brinquedo. Apagaram a pistola de plástico e ele, então, estava disparando água pelos dedos (!). A coisa é por aí, ladeira abaixo e sem freios. É supernormal, numa sociedade desmiolada, garotos disparando água pelos dedos, quando brincam de caubóis, e com medo de falar a palavra "azar".

Recentemente, a P&N chegou ao cúmulo de editar Recado a Adolf com falas inventadas, com o único intuito de atacar o Presidente da República, sendo notório o engajamento político de alguns do pipoqueiros com outras ideologias. A infeliz fala do Presidente da República, ao citar seu histórico de atleta, está agora inserida na obra monumental de Osamu Tezuka, falecido em fevereiro de 1989, que nunca conheceu Bolsonaro e, aliás, sempre se mostrou simpático ao conservadorismo norte-americano, que de certa forma apressou a modernização do Japão quase feudal quando da ocupação do território nipônico. Foram os valores ianques pró indivíduo (não coletivistas) que precipitaram o fim de oligarquias caquéticas. Recordo que, quando pressionaram a ex companheira de Tezuka para que processasse a Disney por o Rei Leão (plágio de seu Jungle Taitei), a mesma recusou-se e afirmou que Osamu se sentiria honrado com tudo, entusiasta que era da cultura americana, seu povo e, especialmente, de Wall Disney.

Além dos aspectos politiqueiros dos editores, o viés ideológico medonho presente nessa infeliz "tradução" também pode ser visto num mero acesso ao Twitter da tradutora. E olha que foi a mesma tradutora responsável pela coleção Adolf da Conrad.

A fala escolhida a dedo pela tradutora foi colocada especificamente na boca do moribundo Kauffmann, diplomata nazista residente no Japão cuja fidelidade canina ao Partido é irreprochável. E, como sabemos, o Presidente Bolsonaro já foi até mesmo rotulado de nazista por essa turma por tomar um copo de leite durante evento de streaming. Um dia, talvez, os aguerridos "progressistas" conhecerão o que foi o nazismo, seu nacional socialismo não-marxista, planificação econômica e domínio do Estado sobre todos os aspectos da vida mais privada do cidadão. Até lá, infelizmente, continuarão fazendo lambança até mesmo na publicação de meros gibis.

A situação fica mais medonha quando, logo na primeira página do primeiro volume, vê-se a seguinte observação: "Devido à sua natureza histórica, todas as expressões usadas na época e retratadas aqui forma mantidas em respeito ao autor, levando-se em consideração seu contexto histórico". Poderiam ao menos ter a hombridade de alerta justamente sobre o contrário: que o texto modificar-se-ia ao sabor do mero querer dos envolvidos. No discurso do Führer, ainda, deram um jeitinho para incluir a expressão "cidadão de bem", em típico ataque aos eleitores do atual Presidente desta republiqueta. E abro aqui parênteses para destacar essa aversão da turma do progresso a tal expressão. Para tais pessoinhas cujas mentes foram laceadas por ideologias macabras, não há distinção entre o jovem incel classe média que passa o dia em frente do Playstation e o guri, no morro, traficando drogas com fuzil nos ombros e uma dúzia de mortes nas costas.

Aliás, falando em citação infeliz do Presidente, me pergunto, hoje, onde ele errou, a não ser no tato grosseiro. A nova doença está aí, matou e continuará matando como tantas outras. Eu e toda a minha família já tivemos covid-19, inclusive meu pai septuagenário. Para nós, foi como uma gripe. Para mim, uma gripe de três dias. Pessoas morreram neste planeta? Sim. Doenças matam. Da China virá, talvez, a Covid-20-21-22-etc. Preparem-se. Mas o que estamos fazendo agora? Tudo o que fazíamos antes, especialmente nos amontoados em eventos políticos municipais, mesmo sem vacina e tampouco cura. Os bares estão funcionando, academias e tudo mais. Não mudou porcaria alguma a não ser a fraldinha inútil na cara. Estrangulado, o mercado precisou retornar à rotina. Apenas servidores públicos estão ainda se dando o luxo de não trabalhar, em algumas esferas. Ou fingindo que trabalham.

Enfim... Não importa se alguém saudará a mandioca, falará sobre marolinhas econômicas ou estocagem de vento. Não se deve alterar o texto de um autor (especialmente falecido), com nítido afã de fazer proselitismo politiqueiro, seja para qual lado for. Foi apenas um requadro (um mero balão), por enquanto. Contudo, eu que não pagarei para ver até onde essa insensatez editorial chegará. Falei antes e repito: poupem sua grana, dentro do possível. Meditem bem se gastarão com papel impresso. Tudo é entulho e a vida é curta. A grana aportada em obras impressas podem verter em passeios, idas a restaurantes e até mesmo numa reserva emergencial. As editoras não respeitam seus leitores, nunca fizeram isso. Hoje, há muita oferta de leitura “de grátis” por aí. Sempre fui contumaz consumidor de papel e, hoje, consegui reverter isso. Há poucos meses ainda cheguei a comprar alguns títulos físicos, mais para matar a saudade de comprar em livrarias, pois efetuei algumas viagens a outros Estados e, nelas, dei aquela velha conferida nas megas e pequenas livrarias por aí, cada vez mais em frangalhos. Via de regra, hoje, prefiro investir meu suado dinheirinho num café de qualidade para acompanhar a leitura de livros e HQs no meio digital, no Kobo e no tablet. Ou num bom charuto. Não posso comer, beber e fumar no meio virtual. Mas ler, posso.

Este é o meu breve ponto de vista sobre o assunto. Mas, se você quer comprar cada vez mais papel para dentro de sua casa, vá fundo. Eu seria hipócrita se fosse incisivo em contrário, considerando que, aos poucos, ainda compro. Contudo, trabalho nisso: cada vez mais comprar menos e menos, até parar definitivamente. Como dizem os engajados esquerdinhas: "menos é mais". Sigam essa regra.

Abraços espúrios e até a próxima.


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Tô rico e não sabia [ Assombros cotidianos ]

Meu rico dinheirinho.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
- Livros, Caetano Veloso

No antigo blogue, eu expressava a ideia de que, com a digitalização da informação e seu acesso de forma cada vez mais fácil (novos dispositivos mais baratos e eficientes, banda larga etc.), os livros precisariam de maiores cuidados quanto à forma. O livro, enquanto objeto tátil, necessitaria se tornar mais atraente/atrativo. Se é para comprar brochura vagabunda pelos olhos da cara, melhor ler de graça em tablet, ereader ou até mesmo celular. E, no Brasil, a Cosac Naify foi responsável por esse salto de qualidade em nossas publicações. A editora capitaneada por Charles Cosac foi, de certa forma, entidade filantrópica em terras tupiniquins. Seus donos nunca visaram ao lucro. Queriam apenas editar bons livros com toda a frescura do mundo. Durante dezenove anos, venderam livros de excelente qualidade gráfica (alguns, com arroubos quase fetichistas) abaixo do preço de custo.

Sempre me interessei pelo mercado livreiro e pelo livro não apenas enquanto veículo de conhecimento, mas, igualmente, tátil. De certa forma, o livro sempre pode ser produto de arte destinado a invólucro de... arte. Hoje, diante de questões relevantes sobre espaço físico, economia de grana e as safadezas das editores conosco, leitores, eu apoio bastante o meio eletrônico, especialmente o gratuito. Dá para ler de graça e com qualidade em diversos "gadgets" (para usar a palavrinha mais apropriada a este novo mundo). Então, leiamos. E, claro, reservemos o meio físico a algumas obras especiais e, claro, que nos deem capricho gráfico. Repito: se a obra for figurinha fácil e estiver impressa em brochura descartável fubenta, a preço elevado, melhor "puxar da internet", como diz o matuto.

Esses dias, eu comentaria aqui sobre o romance Pinóquio de Carlo Collodi. A edição possui o apuro gráfico da finada Cosac Naify: capa dura com gravações em dourado sobre hot stamping, ilustrações de Alex Cerveny, miolo em papel GardaPat Kiara 115 g/m² (papel "dubom", com elevada gramatura), impresso na lusitana Nortprint. Três mil exemplares tiveram luva em material rígido.

Sobre as ilustração, destaco a técnica cliché verre empregada pelo artista. É algo trabalhoso, onde o desenho é feito por remoção de fuligem aplicada sobre placa de vidro. Chamuscam a placa com vela e, após, se vai desenhando sobre ela a seco. Como resultado obtemos o "negativo" do desenho, para impressão posterior mediante contato fotográfico. Amiúdes: coisa fina e cheia de frescurinhas. Não me recordo por quanto comprei, mas foi alguma ninharia de saldão. E, ao escrever sobre o romance, efetuei breve pesquisa sobre a disponibilidade do texto integral (nada dessas babaquices adaptadas). Qual minha surpresa quando vi livreiros da vitrine da Amazon vendendo a mesma edição por até R$ 999,90.

Como diz o comunista-coxinha Huck: loucura, loucura, loucura!

Daí, resolvi verificar outras obras da Cosac Naify de minha estante. Outro assombro, conforme podem constatar na imagem acima. Outono da Idade Média por até R$ 2.390,00 e os contos de Tostói por oitocentas pilas. Sei que existem os colecionadores (bibliófilos e bibliômanos). Mas, convenhamos, isso tudo parece mais devaneio do mercado que já se mostra, aliás, em frangalhos. Cada vez mais, penso que sebos e livrarias pedem para sucumbir assim como a indústria fonográfica, que nos roubava sem vergonha alguma na cara, com CDs que custavam um salário mínimo, logo após a conversão da moeda de URV para Real.

Duvido bastante que esses livros sejam vendidos por tais valores. Não consigo crer nisso. Na Estante Virtual, topei com obras de meu interesse ofertadas por valores absurdos. Nos dois casos, entrei em contato com os vendedores e fiz proposta, sem êxito. Passados anos, ainda vejo as mesmas obras à venda, mas agora com preços reduzidos. Só que, agora, não tenho mais interesse em tê-las, mesmo com valores dentro da realidade. Destaco isso porque muitos podem alegar que há interessados. E, francamente, ainda mais considerando o período difícil pelo qual passamos, duvido mesmo.

Insisto apenas nisso: o mercado livreiro, como conhecemos, está com os dias contados. Isso vale inclusive para obras eletrônicas de grandes editoras, que insistem em cobrar caro por elas. Em diversos momentos, topei com livros digitais pelo mesmo valor que os impressos. Por maior que seja a ginástica mental empreendida, isso não se justifica na maioria das hipóteses.

Acredito que, seguindo essa regra dos valores acima, devo possuir uma Toyota SW4 2020 em minhas estantes e, até hoje, não sabia.

Abraços inflacionados e até a próxima.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Aquela pilulazinha enrugada

Imagem de meu acervo pessoal.

I want you to know that I'm happy for you
You Oughta Know

Achei que passaria mais um mês afastado após a matéria anterior, mas a grata surpresa desta semana me fez retornar para sugerir Alanis Nadine Morissette, em 4k, aos nobres colegas e aos que aqui caírem de paraquedas.

Tomei conhecimento do disco Jagged Little Pill por meio da TV Cultura. Não recordo se nos programas Vitrine ou Metrópolis. Exibiram o clipe Hand In My Pocket e fiquei deslumbrado. Ou "alumbrado", como dizia meu amado poeta Manuel Bandeira. Na mesma semana, estando no centro da cidade, fui à loja Comeg Center e pude ouvir alguns minutos do CD. Achei ruim. Estava sem dinheiro e, mesmo que o possuísse, não o compraria. Pensei que só prestaria Hand In My Pocket, em todo o álbum. E CD era caríssimo, naquela época, para se comprar por apenas uma faixa. Só para os mais jovens terem ideia: o CD Legião Urbana Música para Acampamentos custava mais de um salário mínimo em minha adolescência, logo após a conversão de URV em Real.

Algum tempo depois, minha grande amiga Wanessa Wanderley (vulgo Madonna), com seus cinco quilos de brincos em cada orelha e os cabelos multicoloridos (entre rosa-cheguei e laranja-holanda, com tons de azul-encardido), me reapresentou o CD. E me emprestou. Em casa, ouvi cada faixa e me apaixonei. Cresci, enfim, sob o signo de Jagged Little Pill e o considero um dos melhores álbuns realizados neste planetinha infectado. E, logo após uns meses, Madonna me apresentou outro alumbramento: Vanessa Michelle, minha primeira namorada de verdade, meu primeiro grande amor. E, curiosamente, Vanessa lembrava bastante Alanis em sua fase áurea, na fase Jagged Little Pill

Wanessa Wanderley, minha inesquecível amiga, onde quer que você esteja, obrigado por tudo. Havia mencionado esta maluca na postagem Mjadra, sendo a pessoa que, no finado colégio CDI, gravava para nós conteúdo da MTV em VHS.

Esses dias, por mero acaso, vi no Youtube os clipes Ironic e Hand In My Pocket em 4K. Fui pego de surpresa. Além deles, pesquisando mais, ainda topei com You Oughta Know e You Learn. Que maravilha poder rever aquelas pérolas em excelente definição e constatar que Alanis, mesmo com o testão abarrotado de espinhas (em 4K, vemos até os cravos), era realmente linda. Achei oportuno, aqui, compartilhar minha surpresa quanto a isso, recomendar os vídeos reeditados e, claro, falar um pouco sobre minha vida. Afinal, isto é um blogue, não um mega portal.

Não sei o destino de Wanessa Wanderley. Perdemos totalmente o contato. Não a encontrei em rede social alguma nem em pesquisas a esmo na rede. E olha que sou razoavelmente bom em vasculhar vida digital alheia. Já Vanessa Michelle me pareceu estar bem (dentro de uma certa proporção). Ela não quis entrar em tantos detalhes sobre sua vida, embora tivesse também curiosidades sobre a minha. Atualmente, está casada com outra mulher e elas possuem um filho chamado Théo. Vida que segue. Bola pra frente, entre recordações de beijos sabor graviola e canções de Adriana Calcanhotto.

Essa "remasterização" - ou seja lá como se chame - dos vídeos se deve à comemoração dos vinte e cinco anos de lançamento do fabuloso álbum. Meu exemplar (foto acima) comprei em 1997. Perdi a caixa. Mas resgatei o encarte e o CD está rodável.

Vanessa e Wanessa, amo todas vocês. Sempre as amei. Sob o signo de Jagged Little Pill. Sonho um dia nos revermos e tomar uma Coca-cola juntos, falando abobrinhas sobre a vida. Mas é apenas sonho em seu estado mais puro, pois isso é impossível.

Abraços lacrimejantes e até a próxima.









domingo, 28 de junho de 2020

Admirável Mundo Novo

Jovem consciente com mascrinha e alquinho. (Foto de Gustavo Fring no Pexels)


Oh, Admirável Mundo Novo em que vivem tais pessoas.
- Miranda em A Tempestade, de William Shakespeare

Esta postagem complementa meu Diário de Quarentena. Seriam novas páginas do diário. Contudo, nunca fiquei em isolamento. Então seria "diário durante a quarentena alheia". Pois o brasileiro continua qual gado, percebo: confina, desconfina. Por enquanto ainda rola quase dois paus de auxílio emergencial por família e está de boa. Mas quando a ração acabar... Nosso poder público realmente subestima os riscos do caos social e econômico.

Não por acaso, o título para esta postagem remete à obra de Aldous Huxley. Seria uma mera distopia se não estivesse tão próxima. Recomendo a todos a leitura deste romance, ao lado de 1984 e d'A Revolução dos Bichos de George Orwell bem como O Senhor das Moscas de William Golding.

Em Huxley, o Estado detém controle absoluto sobre sua vida. Não acerca de suas relações familiares, porque não existe prole naturalmente, mas apenas gerada em tubos de ensaio. Nos campos de educação do Governo, crianças são erotizadas em tenra idade. Todo o conhecimento clássico foi banido e o grande vilão da trama é um selvagem erudito, profundo conhecedor de Shakespeare (cristão monarquista) e da Bíblia. Os nomes dos cidadãos são dados em homenagem aos fundadores desse brave new world: "Lenina" é um deles, por exemplo.


Cotidianamente, caminhamos para esse império global previsto há décadas. No momento, para implantá-lo e a plenos pulmões, há o establishment progressista global, um mundo sem fronteiras gestado por organismo internacionais, partidos nacionais imbuídos por ideologias macabras e as maiores fortunas do planeta injetando bilhões por dia neste afã. A única opção contrária é rejeitar integralmente tudo isso, sem delírios sobre parcimônia e equilíbrio entre agendas conflitantes. Enfim: não me estenderei sobre isso. Quem quiser compreender melhor este ponto de vista, recomendo postagem recente: Pandemia e o mundo segundo Tio Patinhas.

E vamos lá... Esses dias foram movimentados em meu cotidiano e no mundo.

Já mantive plantel de galinhas, em casa, com quase setenta aves. Me rendiam em torno de trezentos ovos caipiras ao mês, além dos ovos destinados à reprodução. Contudo, decidi removê-las para a roça da minha sogra devido ao trabalho excessivo e porque queria o espaço para outros empregos. Nestes dias, voltei a me dedicar à criação de animais, mais para porcos, diante da grande quantidade de carne e gordura obtidas. O couro suíno também é ótimo alimento, seja grelhado junto à carne (pururuca) ou cozido em feijão. Porcos de algumas raças chegam facilmente aos duzentos quilogramas. Contudo, estou apostado no caipira. Resumidamente, trata-se de um vira-lata: come de tudo, pode pastar à vontade e quase não adoece. Estou nessa empreitada com a sogra. O custo é muito baixo, quando temos espaço para pasto. Sim, porcos e galinhas também pastam. Damos restos de alimentos, farelo (cuim de arroz), milho e, se possível, soro de leite (raramente e dependendo do acesso e do preço). Apostar em “comida viva”, nestes tempos, é o melhor caminho.

Ando retornando aos meus projetos de horta. Estou com tudo pronto. No entanto, mantenho as sementes guardadas porque ainda não é o melhor momento. Há muita oferta de folhas e legumes por aqui. Torço para que continue assim. Mas, claro, em matéria de sobrevivencialismo, não podemos apenas torcer. A dúvida é se farei horta suspensa ou diretamente no chão. A primeira ideia é a melhor e a comumente praticamente onde moro.

Continuo correndo todos os dias. Às vezes, mais de uma vez por dia. mantenho o ritmo e sigo surpreso por conseguir retomar todo o meu condicionamento em corridas ao ar livre, após tanto tempo só treinando em academia. Acredito que nem tão cedo os governos locais permitirão a reabertura plena de academias, na maioria das cidades. Penso em adquirir estação de musculação. Veremos.



Joguei muita coisa tanto em PS4 quanto no XBox. Gostei bastante de Resident Evil 2 (remake) e 4 (remasterizado). Confesso que realmente me assustei no primeiro e me diverti bastante com o ritmo deste último. Gostei tanto que comprei o remake do terceiro (o qual ainda não joguei). Recordo de um primo bem mais jovem do que eu rodando o quarto no PS2. Ao jogar e morrer tantas vezes, tendo de retornar lá longe, onde salvei na "máquina de escrever" (artifício para guardar o progresso), lembrei dos arcades com ficheiro que tanto joguei quando criança, quando a Capcom era mestre em papar fichas arbitrariamente.

O dito acima é basicamente o que ando fazendo no campo de vida pessoal. Além disso, também estou trabalhando normalmente, dentro do possível. Felizmente, o serviço anda em dia e nada está represado. Alguns colegas de outras unidades estão sob a cama, enriquecendo ilicitamente e, certamente, terão muito serviço acumulado após o retorno. Sim, porque voltaremos à nossa atividade a fórceps. E, neste meio tempo, o que fizemos? Ficaremos na História como vítimas do maior engodo global. Camundongos no maior experimento globalista de condicionamento social. Antas de todos os credos, raças e gêneros, mascarados, submetendo-se ao risco de uma hecatombe socioeconômica devido a achismos de um organismo internacional sombrio e escuso: Organização Mundial da Saúde; basicamente, uma “OrCrim” (Organização Criminosa).



Falando nisso, durante esses dias, descobrimos que a OrCrim mentiu sobre as pesquisas que endossou a respeito do uso da hidroxicloroquina. Mentiu deslavadamente. Não vou me estender tanto sobre isso. Em poucos minutos, Fernando Conrado fez um “apanhado” jornalístico sobre tudo. E não dá para refutá-lo, colega. São fatos. E, logo após, sobrevivemos à peste negra (coronavírus?), para ver que a OMS mentiu novamente, quando sufocou vozes dissonantes que, há meses e meses, insistiam que quarentena horizontal não é a solução. Aliás, pessoas assintomáticas raramente conseguiriam transmitir o vírus. Logo, passaram a advogar a quarentena vertical. E o Bonoro é que era doido!

E vivemos, igualmente, para ver, em meio a toda essa zona, nosso Presidente da República, num estrondoso vídeo secreto vazado por nossa Suprema Corte, conspirando em prol de nossa liberdade, de nosso sagrado direito de ir e vir sem sermos algemados e jogados ao chão pelas polícias e guardas civis. Curiosamente, às portas fechadas, o Presidente da República trama com seus Ministros para que as promessas de campanha sejam cumpridas. Onde já se viu isso? Um Chefe de Estado quebrando a tradição de mentir ao eleitorado. E, falando em Supremo Tribunal, onde os Supremos reinam (palavras de Gilmar Mendes), descobrimos, pela boca de Barroso, que o Presidente da República deve cumprir ditames da OMS (a OrCrim), sob pena de crime de responsabilidade. Já folheei a Constituição da República acerca disso e ainda não encontrei. Mas, se tratando de OrCrim que frauda e divulga estudos fraudulentos, normal o apoio de nossa Corte de Supremos.

Os maiores bilionários do planeta se tornaram, apenas nos EUA, 434 bilhões de dólares mais ricos durante esta "pandemia para trouxas". É o metacapitalismo que odeia liberdade de mercado e promove a todo custo a quebradeira entre pequenos e médios empreendimentos, acabando com os riscos da concorrência. Há quinze anos, Olavo de Carvalho nos apontava o fenômeno em artigos no Jornal do Brasil. As maiores fortunas da Terra unidas a Governos globalistas e aos organismos multinacionais para impor agendas aos cidadãos e moldar estilos de vida e, sobretudo, de consumo. Jeff Bezos, Bill Gates e Mark Zuckerberg não promovem o #FicaEmCasaJumento à toa, ou porque estão preocupados com sua saúde. Mas, sim, porque você verterá bufunfa e, sobretudo, poder para suas corporações.

Enquanto rola essa merda toda, Prefeitos enriquecem. Governadores correm para construir búnqueres onde guardarão tanta grana roubada. Jornalistas pagam atores para enfrentar policiais com tubos grosseiros de sangue falso. E os blogueirinhos isentões e progressistas ainda pensam que nosso problema é o Bolsonaro, que vai se mostrar o único que acertou nesse imbróglio todo e, talvez, do fundo da vala, ainda saia por cima da carniça. E, sim, acertou. Veja bem, caro mancebo: daqui a pouco, todos estarão nas ruas vendendo, comprando, produzindo, contratando prostitutas e enchendo a cara. Em minha cidade, estão assim há alguns dias. Alguns morrendo devido à Covid-19 e outros devido à unha encravada, que serviu de porta de entrada para infecções diversas. Porque assim é a vida, Charlie Brown.

Falando em governantes espertalhões, vimos a enxurrada de ações do Ministério Público Federal no Covidão. Prefeitos e Governadores pegos em flagrante com milhões de reais em dinheiro vivo dentro de suas casas ou em poder de seus asseclas. Todos os ardorosos advogados de lockdown são corruptos. E ainda ficou de fora a bufunfa impossível de ser auditada, pois alegam seu emprego em insumos consumíveis ou descartáveis (álcool em gel, máscaras, luvas e capotes).





Ando lendo e relendo bastante Disney esses meses e me deparei com a ótima O Tesouro dos Dez Avatares, do fantástico Don Rosa. Nela, o velho sovina pretende descobrir a mítica Shamballa para explorá-la comercialmente, gerando empregos para a região paupérrima e, claro, lucros para si. Mas ele topa com o Marajá local, avesso à ideia. Ele não quer seu povo trabalhando e prosperando, em busca dessa coisa tal vil quanto o dinheiro. Ele quer todos na miséria, pois assim mantém seu poderio dando esmolas e, quando possível, recebendo ajudinhas externas. Você acha mesmo que Prefeitos e Governadores se preocupam com nossa saúde? O Gestor quer sua lojinha falida. Você e seus empregados, antes homens livres e donos de si, agora precisarão ir às portas das prefeituras pedir cestas básicas, tubinhos de "alquingel" e vouchers para comprar gás de cozinha. Caia na real, pequeno mancebo. Nem a OrCrim-OMS se importa com sua saúde, quanto mais prefeitozinhos.

Os dias continuaram loucos, porém normais, onde Olavo de Carvalho continua a ser difamado por trinta segundos de vídeo, por pessoas que nunca leram nada dele. Falando no Olavão, sempre irei meditar bastante antes de qualquer ataque que possa emitir. Até mesmo antes de eventual crítica. Tenho gratidão por cada sugestão de leitura que me foi dada por ele, de Viktor Frankl a Ortega y Gasset, onde abri minha visão de mundo (especialmente de geopolítica) mais do que lendo trocentos livros obrigatórios durante toda a minha vida. Com O. de C., aprendi que, entre a Teoria da Conspiração e a da Mera Coincidência, talvez seja melhor dar mais atenção à primeira hipótese. E não é que, esses dias, também nos chegou a célebre palestra com Fernando Haddad onde ele admite que a Open Society financiada pelo metacapitalista George Soros orienta as políticas públicas "positivas" (cracolândias, abortos indiscriminados, feminismo sexista etc.) capitaneadas entre petistas (comunistas) e tucanos (fabianistas)? E seria "teoria da conspiração", hein.

Sem surpresa alguma, vi Gabinetes do Amor, no Congresso, serem pegos com a boca na botija, em horas de áudios, tramando a criação de contas, com dados roubados, para criar fake news contra o Gabinete do Ódio e a turma do mal apoiadora do Governo. Aliás, os mesmos gabinetes que iniciaram procedimentos contra... fake news. E nada aconteceu. Agora, imaginem por um minuto se um terço dessas conversas viessem de algum Parlamentar governista.


Ainda ressurgiram os super ciberpiratas do Anonymous, que revelaram ao mundo o nome completo de Bolsonaro e seu cartão de crédito com compras da esposa. Sim, só isso mesmo de concreto. O restante é "achismo".




Já um pouco bestificado, vi o ato de beber leite em apoio aos produtores rurais como simbologia nazista (porque leite é branco, estão ligados, né?) e a bandeira da Ucrânia ser elevada a nazismo. Ainda esta semana, no Canal do Boi (sim, eu o assisto), vi entrevista com a Ministra da Agricultura onde, sobre sua mesa, estavam laranja e copo de suco da mesma fruta, em apoio à agricultores. Seria ela uma laranjista?

Em minha minúscula cidade, houve movimento #BlackLivesMatter, com todos devidamente caracterizados: camisetas negras no melhor estilo de milícia fascista italiana, rostos bem cobertos, tacos de beisebol, martelos e outros apetrechos de paz e amor. A manifestação ocorreu após a execução de um homem negro, dentro da cidade, após ter fugido da Polícia Rodoviária Federal. Só que, no dia seguinte, a instituição informou que o autor do disparo (jovem com 23 anos de idade, despreparado), é negro e, aliás, ingressou no órgão dentro das cotas destinadas a afrodescendentes. Mas sem problema. Aí o movimento continuou com seu ativismo, mas chamando o policial de capitão do mato. É o que sempre digo: qualquer pessoa acima dos vinte anos de idade que leve movimentos esquerdistas a sério possui, necessariamente, problemas mentais. Aproveito para recomendar aos amigos o excelente Pastoral Americana.




Enfim: continuo delirando, tocando a vida enquanto vivo, temendo organismos internacionais e metacapitalistas (como bom conspiracionista que sou) e, acaso adoeça, tomarei cloroquina ao invés de tubaína.

E, para fechar com chave de ouro: semana passada flagrei um ex-estagiário, ardoroso defensor do #FiqueEmCasa, jovem aguerrido "das esquerdas", guerreirinho da Justiça Social, bebendo num barzinho com a galera. Além dos engrupidos, temos os hipócritas. E o show de hipocrisias não para por aqui. Estupefato, descobri que uma amiga de trabalho (muito bem de vida, aliás), ardorosa defensora do #FicaEmCasaPorra, manteve a construção de um imóvel seu sem qualquer interrupção. Aliás, a obra andou a todo vapor. Aumentaram o número de pedreiros: todos aglomerados e sem focinheira, suados qual porcos sob o escaldante sol do semi-árido.

Mas o que seriam casos como os acima narrados perto de celebridades como o ativista Fábio Porchat, que mente em suas lives informando estar "quarentenado" e, milagrosamente, perdendo até mesmo peso com dietas e treinos caseiros, quando é flagrado, na verdade, correndo todos os dias, sem máscaras, nas ruas? Ou o Governador de Santa Catarina, aglomerado em meio a centenas de pessoas num hotel fazenda, curtindo os festejos juninos sem máscara? A elite progressista é isso: te mantém em casa com focinheira para que, assim, possam curtir a vida com segurança em locais públicos, sem riscos de contaminação junto ao populacho.


Passei um mês sem postar nada aqui. A partir desta semana, ingresso de férias e me dedicarei a cuidar mais da casa, ler bastante, ir à roça, cuidar de perto de porcos e galinhas (embora não precise tanto, pois a sogra dá conta), dentre outras coisas. Possivelmente, será outro mês ausente daqui.

Abraços sanitizantes e até a próxima.


Consumidos durante esta postagem: bolo de milho com Fanta e um Chococino.