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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Novas facas, preparação et cetera

 

Duas armas letais.

Foto de Bia Sousa no Pexels

Este é o último diário de quarentena que faço porque o tema realmente esgotou. E, repito: nunca fiz quarentena. Mas, felizmente, me preparei um pouco e - mesmo talvez sendo chamado de exagerado - estoquei comida e não fiquei de trouxa pagando mais caro por arroz e feijão por aí, tampouco por carne - bastando pedir à sogra por um porquinho gordo ou galinha sem hormônios artificiais. Meu reforço na geração própria de energia foi um ótimo investimento. Aliás, a crise energética no Amapá está aí para mostrar o que ocorre quando você confia no Estado, lhe dá 50% de seus rendimentos e só recebe pirocada no redondo.

Quem acha que sempre haverá fornecimento de água e energia a preços justos bem como comida farta e barata no sacolão da esquina, tanto faz. Não perco mais tempo dando sugestões pessoalmente a colegas. Prefiro curtir um dia de cada vez, mas com os pés no chão. E, quem acha que tudo se resolve dentro de seu tempo e que governos e corporações nos amam... só posso sorrir.

Confesso que este foi um bom ano para mim. Falo sério. Fiquei preocupado com a educação de minha filha, no início. Mas cancelei sua matrícula logo no segundo mês de "pandemia" e, desde então, ela recebe aulas particulares diárias e teve excelente rendimento. Melhor do que na escola, aliás. E, como barnabé, recebi religiosamente meu suado dinheirinho, todos os meses, inclusive com todos os penduricalhos devidos.

Algumas pessoas sofreram e sofrerão. Negócios foram para o brejo, cidadãos caíram em depressão e até mesmo suicídios. Mas, o que fazer? Somos uma nação de mariquinhas como tantas outras. Como falou o Presidente da República na "reunião secreta" divulgada para o mundo, é muito fácil meter uma ditadura aqui. Basta o Prefeito mandar a guarda civil meter o sarrafo por você tomar sol na pracinha local. E ninguém fará nada. Neste ano, vimos policiais atirando em adolescentes que queriam surfar, senhoras apanhando no meio da rua porque estavam arejando as ideias num banco de praça e a PM invadir residências, à noite, para acabar com reuniões pacatas e cultos religiosos.

Enfim: fico triste pelos que sofreram. Mas... sejamos menos covardes, né? Já falam em nova onda do coronga e os gestores matreiros que estavam aglomerando nas eleições já querem loquindau e inflar dados de mortos para angariar grana fácil no combate à "pandemia". A roubalheira deste ano não foi suficiente.

Falando em preparação (me interesso por sobrevivencialismo há anos), comprei novas lâminas para a coleção e só não comprei mais munição porque fechei a cota. Mas janeiro está aí e, se puder, estocarei o possível de "bala" (como dizia meu avô, bala é pra chupar). Nos vídeos abaixo mostro as novas facas do acervo, compradas em viagens - aliás, ótimo ano para viajar; tive a oportunidade de ir a lugares maravilhosos, resorts etc., a preços baixos.

O ano seguinte se nos mostra perigoso. Kamala Harris possivelmente estará à frente na nação mais poderosa deste planeta e certamente fomentará a divisão social americana, triplicará o tamanho do Governo Federal e possui nas mãos as chances de arruinar a economia norte americana, o que terá reflexos sobre nós. Isso se não impor sanções econômicas em nome de "save amazon rainforest". Alguns prefeitos e governadores tentarão forçar loquindaus sobre nós, trouxas, que aceitaremos mansamente.

Em resumo: se você achou este ano estranho, prepare-se para o próximo, quando não haverá sequer auxílio emergencial às massas. Ou não: ache que o Estado cuidará de você e sua família e tire sarro de quem acumula banalidades como itens de sobrevivência.

Eu gostaria de ser rico e possuir búnquer subterrâneo com vários níveis, filtros de ar, fonte natural de água, uns 15.000 kw de geração de energia por mês e, se filiado a clube de tiro, arsenal e paiol de dar inveja a muita unidade do Exército. Mas me contento com três oitão, espingarda, algumas facas, muros altos e cerca concertina. Melhor do que nada.

É isso. Abraços corongados e até a próxima.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Aquela pilulazinha enrugada

Imagem de meu acervo pessoal.

I want you to know that I'm happy for you
You Oughta Know

Achei que passaria mais um mês afastado após a matéria anterior, mas a grata surpresa desta semana me fez retornar para sugerir Alanis Nadine Morissette, em 4k, aos nobres colegas e aos que aqui caírem de paraquedas.

Tomei conhecimento do disco Jagged Little Pill por meio da TV Cultura. Não recordo se nos programas Vitrine ou Metrópolis. Exibiram o clipe Hand In My Pocket e fiquei deslumbrado. Ou "alumbrado", como dizia meu amado poeta Manuel Bandeira. Na mesma semana, estando no centro da cidade, fui à loja Comeg Center e pude ouvir alguns minutos do CD. Achei ruim. Estava sem dinheiro e, mesmo que o possuísse, não o compraria. Pensei que só prestaria Hand In My Pocket, em todo o álbum. E CD era caríssimo, naquela época, para se comprar por apenas uma faixa. Só para os mais jovens terem ideia: o CD Legião Urbana Música para Acampamentos custava mais de um salário mínimo em minha adolescência, logo após a conversão de URV em Real.

Algum tempo depois, minha grande amiga Wanessa Wanderley (vulgo Madonna), com seus cinco quilos de brincos em cada orelha e os cabelos multicoloridos (entre rosa-cheguei e laranja-holanda, com tons de azul-encardido), me reapresentou o CD. E me emprestou. Em casa, ouvi cada faixa e me apaixonei. Cresci, enfim, sob o signo de Jagged Little Pill e o considero um dos melhores álbuns realizados neste planetinha infectado. E, logo após uns meses, Madonna me apresentou outro alumbramento: Vanessa Michelle, minha primeira namorada de verdade, meu primeiro grande amor. E, curiosamente, Vanessa lembrava bastante Alanis em sua fase áurea, na fase Jagged Little Pill

Wanessa Wanderley, minha inesquecível amiga, onde quer que você esteja, obrigado por tudo. Havia mencionado esta maluca na postagem Mjadra, sendo a pessoa que, no finado colégio CDI, gravava para nós conteúdo da MTV em VHS.

Esses dias, por mero acaso, vi no Youtube os clipes Ironic e Hand In My Pocket em 4K. Fui pego de surpresa. Além deles, pesquisando mais, ainda topei com You Oughta Know e You Learn. Que maravilha poder rever aquelas pérolas em excelente definição e constatar que Alanis, mesmo com o testão abarrotado de espinhas (em 4K, vemos até os cravos), era realmente linda. Achei oportuno, aqui, compartilhar minha surpresa quanto a isso, recomendar os vídeos reeditados e, claro, falar um pouco sobre minha vida. Afinal, isto é um blogue, não um mega portal.

Não sei o destino de Wanessa Wanderley. Perdemos totalmente o contato. Não a encontrei em rede social alguma nem em pesquisas a esmo na rede. E olha que sou razoavelmente bom em vasculhar vida digital alheia. Já Vanessa Michelle me pareceu estar bem (dentro de uma certa proporção). Ela não quis entrar em tantos detalhes sobre sua vida, embora tivesse também curiosidades sobre a minha. Atualmente, está casada com outra mulher e elas possuem um filho chamado Théo. Vida que segue. Bola pra frente, entre recordações de beijos sabor graviola e canções de Adriana Calcanhotto.

Essa "remasterização" - ou seja lá como se chame - dos vídeos se deve à comemoração dos vinte e cinco anos de lançamento do fabuloso álbum. Meu exemplar (foto acima) comprei em 1997. Perdi a caixa. Mas resgatei o encarte e o CD está rodável.

Vanessa e Wanessa, amo todas vocês. Sempre as amei. Sob o signo de Jagged Little Pill. Sonho um dia nos revermos e tomar uma Coca-cola juntos, falando abobrinhas sobre a vida. Mas é apenas sonho em seu estado mais puro, pois isso é impossível.

Abraços lacrimejantes e até a próxima.









domingo, 6 de outubro de 2019

A estrada de Bill Gates


Recordo bem do sucesso d'A Estrada do Futuro de Bill Gates, quando eu ainda era imberbe (palavra linda!). Via unidades à venda na vitrine lateral da banca de revistas Terceiro Mundo e na Livraria Estudantil, pontos comerciais de minha antiga cidade. Também era figurinha fácil circulante em mãos de pessoas antenadas com o mundo digital, interessados por internet e computação quando este terreno era insipiente em nosso país. A capa do livro - o qual nunca li - ficou marcada em minha massa cinzenta. O próprio Gates é figura sempre recorrente em minha vida. Meu primeiro computador - AMD K6 2 500rodava o Windows 98 e, neste exato momento, utilizo o Windows 10. Mês passado comprei um XBox para minha filha. Enfim, se você habita este planeta, não há como desconhecer Bill Gates e sua criação.

Esses dias assisti ao documentário original Netflix O Código Bill Gates e achei proveitoso. Gostando ou não do magnata - e é sempre esporte divertido entre pobres tentar diminuir as realizações dos ricos -, conhecer um pouco das figuras mais proeminentes da História nunca é tempo perdido. Veja bem: o sujeito pode realmente ser até um tremendo filho da mãe, vai-se saber. Mas e daí? Convivo com pessoas escrotas no cotidiano cujas contribuições à humanidade são comer, cuspir e defecar. Ao menos Gates fundou a Microsoft e, assim, popularizou o uso dos PCs.

Achei o filme meio capenga em alguns momentos; envernizado na maior parte do tempo mas, no geral, aproveitável. Não me deixou com sensação de tempo perdido, conquanto seja puramente um material de propaganda política da Microsoft e da Fundação Bill & Melinda Gates. Então vamos a alguns apontamentos pessoais, minhas modestas impressões.

Tentaram dar ênfase ao Gates pai de família, preocupado com o tempo destinado aos filhos e, como todos os mortais, com pontuais crises conjugais. Seu lado engajado, claro, é focado nas obras humanitárias ao redor do globo, tentando encontrar destino limpo para cocô africano ou combatendo a poliomielite, isso quando não está preocupado com o aquecimento global. Como todo metacapitalista, o "nerd" da terceira idade adotou a agenda e o jeito ONU de ser, gastando com ações sociais globais enquanto aumenta suas relações com o poder político. Destaco: essa estratégia remonta à dinastia Rockefeller que, ao ser vítima do poder estatal em seu monopólio energético, resolveu se fazer mais presente na vida social americana e se atrelar, mesmo nos bastidores, ao poder burocrático. Gates, aliás, quase se deu muito mal devido a ações anti monopólio. Esperto, fez o dever de casa e não errou mais. Ao menos, claro, está gastando milhões  com vacinas na Nigéria. Já eu precisei dividir em seis vezes a imunização de minha filha contra meningite B e ACWY, as quais não são ofertadas na rede pública e custam R$ 1.600.00.

Gates é pintado como um gênio da programação. E realmente o foi desde criança, como dito no documentário. Mas em momento algum, ao falarem do sistema DOS, citaram Tim Paterson e focaram apenas no dotes do executivo. Achei isso meio rasteiro. Citar Paterson não diminuiria a genialidade de seu contratante. Este, sim, tinha visão a longuíssimo prazo e sabia o que estava construindo para o mundo e para seu bolso.

Paul Allen é citado com parcimônia. E por um lado foi bom. Sempre o vi como mais um hipócrita: contrário ao regime de mercado no discurso, mas que não abria mão do caviar. Como é sabido, o co-fundador da Microsoft saiu da empresa porque alegava não querer fazer parte de algo grande, que movimentasse tanta grana. Era romântico (da boca pra fora). Na prática, morreu podre de rico, dono de uma bilionária carteira de investimentos e ostentando luxos como nem o próprio Gates ostenta. Lembrava bastante Steve Jobs, com discursos holísticos na ponta da língua e de alma podre, maltratando até mesmo amigos pessoais no afã de ampliar seu império tecnológico.

A grande sacada do filme, penso, foi associar os desafios de Gates quando à frente da corporação com os entraves encontrados por ele em suas obras humanitárias. Muitas vezes, as mesmas estratégias aplicadas para se tornar o homem mais rico da Terra foram aplicadas para gastar essa grana com fezes humanas e imunização. Também chama atenção o lado analógico do homem pioneiro nos computadores domésticos: gosta de papel, anda com sacolas de livros, não é visto com smartphones e costuma usar anotações de punho. Além disso, gosta de cartas e jogos de tabuleiro nas horas vagas.

Após ver a produção, continuo enxergando o magnata como alguém extremamente sagaz, capaz de tecer mil e uma probabilidades em sua cachola, dotado de grande poder de visão no longuíssimo prazo. Ainda o vejo como um ser humano fleumático, destituído de grande empatia pelo humano mas sedento por embates e aventuras. Gates, obviamente, é daqueles exemplares que adotam a racionalidade quase como um monastério. Do contrário, não teria fundado a Microsoft e certamente a História recente seria diferente. O Windows foi crucial para o acesso dos meros mortais à chamada microinformática.

Enfim: no catálogo de documentários da Netflix, acho que este é um dos que valem a pena.

Abraços cibernéticos e até a próxima.

  • P.s.: The Bill & Melinda Gates Foundation, ao lado da Open Society Foundations e tantas outras fortunas modernas, são os grandes financiadores dos Guerreiros da Justiça Social ao redor do globo.

Somos a turma da Justiça Social [ Reflexão gratuita ]


Da novilíngua de George Orwell e o nadsat de Anthony Burgess, chegamos a este presente mais tenebroso do que os futuros distópicos previstos em 1984 e Laranja Mecânica. A linguagem do politicamente correto foi o elemento chave para a engenharia social que nos deu a atual geração de burros imprestáveis. O patrulhamento do politicamente correto é o instrumento mais perigoso presente na agenda da chamada Nova Ordem Mundial. Este patrulhamento amordaça as pessoas, enrijece quaisquer possibilidades de debate sério sobre temas relevantes à estrutura social de uma nação. Se você endossa o "não me toque" ou o "todos são iguais" sem refletir acerca do alcance dessas colocações, assista ao vídeo acima, escrito, dirigido e protagonizado pelo humorista Neel Kolhatkar. Depois, ignore! Escola de Frankfurt, flawless victory.

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Livros de Olavo de Carvalho, Youtube e o Efeito Dunning-Kruger


O Estado brasileiro é nosso maior inimigo!
Ricardo Boechat

Os carinhas engajados que gostam de aparecer no Youtube com vídeos acerca de tudo um pouco, mas que querem dizer nada em si, têm uma fórmula mágica para conseguir visualizações: falar mal de Olavo de Carvalho. É uma técnica simples: você vê cinco minutos de um vídeo do Astrólogo, isola meia dúzia de frases e as comenta com ar de superioridade. Esse fenômeno se chama Efeito Dunning-Kruger. Considerando, ainda, que muita gente outrossim mal informada e de má fé identificar-se-á com o vídeo, o número de inscritos no canal crescerá. Está aí a fórmula do sucesso youtubesco.

Para essas pessoas, não adianta explicar que Olavo de Carvalho é prestigiado analista político em vários países, tratadista de Aristóteles, extremamente culto (se não erudito, algo raro hoje em dia). Você também pode chamá-lo de Astrólogo ou cartomante, agent provocateur sionista disfarçado de católico nas horas vagas que, sob o codinome Sidi Muhammad, com uma bola de cristal, escreveu em vários livros e artigos, há mais de trinta anos, tudo o que estaria ocorrendo hoje. Entretanto, não é preciso vidência para isso: basta ser culto, saber ler e escrever e observar bem os fatos. Olavo de Carvalho é o único analista político brasileiro que acertou nos búzios, afirmo com segurança.

Como é moda e dá likes falar mal dele, mesmo sem ao menos se ter lido um livro do velhinho boca-suja, canais de Youtube prosperam disseminando a ignorância. Como não ostento minha cara em vídeos nem caço likes no Facebook, sou intelectualmente honesto e, aqui, achei prudente recomendar algumas de suas obras escritas. Já fiz isso com O Jardim das Aflições O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Agora, aproveito a oportunidade recomendando as publicações da imagem abaixo.


Em A Nova Era e a Revolução Cultural, Olavo Muhammad de Carvalho nos fornece guia conciso das duas mais bem sucedidas estratégias empregadas para enlouquecer o mundo e reconstruir o ser humano em uma massa homogênea, insossa, bunda mole e estúpida. A obra foi originalmente publicada em 1994. Naquela época, parecia lidar com fatos distantes e meros conspiracionismos. O tempo provou, como sempre, isso: Olavo tinha razão.

Os EUA e a Nova Ordem Mundial, também pela ótima Vide Editorial, condensa o debate ocorrido entre Olavo de Carvalho e Aleksandr Dugin - o qual defino como o Grigori Rasputín contemporâneo, um russo meio ocultista e meio cientista político que é conselheiro espiritual de Vladimir Putin e porta-voz esotérico da Nomenklatura que ainda governa aquele grande país. Quem venceu o debate ficará a critério do leitor. Por enxergar Dugin - homem culto e extremamente preparado a qualquer colóquio - como um estrategista a serviço de um novo e perigoso pan-eslavismo, fiquei ao lado do brasileiro. Ou seja: já comecei a leitura inclinado às ideias de Olavo de Carvalho, o que não me permitiu análise relativamente isenta. Mas isso pode variar, claro, entre diversos leitores.

Abaixo, selecionei vídeo onde Olavo de Carvalho explica, em palestra no salão da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, suas principais conclusões - à época - sobre domínio global e temas correlatos, parte do conteúdo presente no livro sobre Nova Ordem Mundial. Vale a pena dar uma conferida. Não retire conclusões de dois minutos de vídeo. Veja uma palestra completa e, então, ataque onde puder; fundamentando, claro.

P.s.: Esta postagem é republicação do antigo blogue. À época, eu já mantinha contato com o trabalho de Astrolavo de Carvalho alguns anos atrás, tendo inclusive participado do financiamento coletivo para o filme O Jardim das Aflições realizado por meu conterrâneo Josias Teófilo. Fico feliz em ver como, hoje, a figura deste Filósofo é conhecida do grande público, seja de forma negativa ou positiva. 

sábado, 7 de setembro de 2019

Dois vídeos: A sacola por Thomas Newman & Isso É Água por David Foster Wallace


Onde tu estavas, quando Eu lançava os alicerces da terra?
Conta-me, se é que tens verdadeiro entendimento?
Jó, 38:4

O vídeo acima é interessante. Foi elaborado sobre trecho da palestra do escritor David Foster Wallace numa colação de grau da turma de 2005 da Kenyon College. O áudio é do próprio autor. Infelizmente, não há vídeo do discurso. DFW tornou-se mundialmente famoso, creio, após a publicação de seu calhamaço Graça Infinita (comprei, mas confesso que me arrependi pelo péssimo trabalho da Companhia das Letras, em publicar algo tão volumoso em letras miúdas e quase sem margens e espaçamento, quando poderia ter dividido tudo em dois tomos numa caixa). O autor tornou-se ainda mais notório após seu suicídio por enforcamento.

Várias obras me ajudaram a tentar encarar a vida com menos ira; a deixar tudo para lá e a viver um dia de cada vez. A dizer para mim mesmo: "Tudo bem, depois passa". Após um tempo, às vezes, um comportamento assim pode beirar ao desleixo e nos trazer ainda mais problemas do que já temos. Mas, no geral, é uma posição que me ajudou a aliviar a mente e o coração, tentando encontrar paz em mim mesmo diante de milhares de contratempos. É algo que me serviu, ao menos, para afugentar a ira cotidiana e manter o espírito mais leve. Sem dúvidas, o que mais me ajudou nesta empreitada foi a leitura de O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Só que, em torno de dez minutos, DFW conseguiu nos dar uma lição similar, mais aplicada aos dilemas do dia a dia moderno.

Já o vídeo abaixo é apenas para entreter. Adoro essa cena de Beleza Americana e sou fã das composições de Thomas Newman, cada vez mais surpreendentes. Além disso, a mensagem final do filme tem muito a ver com esta postagem: uma lição de gratidão por cada minuto de nossa vidinha idiota.

É isso. Abraço a todos.

Barras e Barreiras, retrato de Kelly Alves [Documentário]

Créditos da imagem: Jornal da Paraíba

Riccardo Migliore nasceu em Milão. Atualmente, é mestre em Comunicação pela UFPB e também graduando em Ciências Sociais pela UFCG. Kelly Alves é natural da zona rural de Puxinanã, Paraíba; é uma transexual que comeu o pau que o diabo amassou em sua jornada física e espiritual em busca de uma posição social digna, como qualquer outro cidadão brasileiro, seja gay ou não. Riccardo é o responsável pelo documentário Barras e Barreiras (argumento, roteiro, fotografia, edição e direção), onde conhecemos um pouco da vida de Kelly, que saiu de seu pequeno sítio para a cidade de Campina Grande, o maior centro urbano do interior do nordeste brasileiro.

Morei mais de cinco anos em Campina Grande (bem às margens do açude da fotografia acima), da qual ainda hoje sinto saudades. Minha mãe é natural de Puxinanã (cidade da Kelly) - terra seca que talvez tenha refletido em sua natureza igualmente árida e em sua loucura. Meu irmão estudou na UFCG e na UFPB (locais de estudo do cineasta). Conheci um pouco do centro da cidade, desde a violenta rua João Pessoa mencionada por Kelly (onde travestis fazem programas, drogas são vendidas e os mais diversos crimes acontecem) e também conheci muita gente diferente e interessante igual à protagonista.

Assisti a esse documentário na TV Brasil e fiquei bastante satisfeito ao encontrá-lo, na íntegra, postado no Youtube pelo próprio diretor, em seu canal. A produção teve várias exibições públicas e ganhou o Prêmio Aquisição TV Brasil (categoria Melhor média-metragem) na 6ª Mostra de Cinema e Direitos na América Latina (com votação do público em 27 capitais brasileiras). Infelizmente, procurando novamente o vídeo para republicar esta postagem, não o encontrei mais. Então fica a sugestão mesmo assim para quem encontrá-lo gratuitamente em algum sítio.

Como, há pouco tempo, recomendei a HQ Malu - Memória de Uma Trans, acho mais do que oportuno sugerir este bonito trabalho, que, dentre outros méritos, conseguiu aproveitar com felicidade a estética oferecida pela bela Campina Grande, mesmo quando abordada em suas noites frias e escuras, típicas da região da Borborema.

sábado, 31 de agosto de 2019

Do Big Bang a uma manhã de terça-feira


“A menor minoria na Terra é o indivíduo. 
Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer 
defensores das minorias.”
― Ayn Rand

Uma manhã estressante no meio do engarrafamento não parece nada extraordinário diante de todos os grandes eventos e transformações que fizeram deste planeta o que ele é. Mas cada pequeno drama individual representa grande evento para quem o enfrenta. Infelizmente, penso, estamos no estágio final da era do respeito ao indivíduo, em nome de algo abstrato como "coletivismo", onde líderes progressistas nos convencem de seu discurso falido e notadamente incoerente, almejando a destruição da individualidade com apenas um propósito: levar abaixo esta existência, nossa cultura, a tradição e todas as conquistas humanas (especialmente as positivas), em troca do porvir sombrio, onde deixaremos nossas vidas ao controle absoluto de Estados cada vez mais poderosos (gordos, obesos, inchados, mastodônticos), chefiados pela elite burocrática despótica, aliada às grandes corporações globalistas que têm pavor da livre iniciativa, pois lutam por manter sua hegemonia.

A vida é dura. "Nas trincheiras do dia a dia da existência da vida adulta, platitudes banais podem adquirir uma importância de vida ou morte", acertou David Foster em seu famoso discurso. É reduzindo as liberdades individuais a pó em prol da promessa do paraíso terreno inalcançável que tornaremos a existência humana ainda mais miserável.

O curta acima (Du big bang à mardi martin) foi realizado no ano 2000 por Claude Cloutier e, creio, tornou-se bastante conhecido no Brasil diante de suas exibições repetidas em canais educativos. Tem a ver com acabei de escrever nos parágrafos acima.

Abraços triviais e até a próxima.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Livros, sebos e leitura digital

Photo by Min An from Pexels
"Corso era um mercenário da bibliofilia, um caçador de livros por conta de outros. Isso inclui os dedos sujos e o verbo fácil, bons reflexos, paciência e muita sorte. Também uma memória prodigiosa, capaz de recordar em que canto poeirento de um sebo dorme aquele exemplar pelo qual pagam uma fortuna. sua clientela era seleta e reduzida: uma vintena de livreiros de Milão, Paris, Londres, Barcelona ou Lausanne, dos quais só vendem por catálogo, investem sem risco e manejam mais de meia centena de títulos de cada vez, aristocratas do incunábulo, para os quais o pergaminho ao invés do velino, ou três centímetros a mais na margem da página, supõem milhares de dólares. Chacais de Gutenberg, piranhas das feiras de antiguidade, sanguessugas de leilões, são capazes de vender a mãe por uma edição príncipe; mas recebem os clientes em salões com sofá de couro, vista para o Duomo ou o lago de Constança, e nunca mancham as mãos, nem a consciência. Para isso servem os tipos como Corso."
O trecho acima retirei de meu exemplar de O Clube Dumas de Arturo Pérez-Reverte, a melhor (ou única!) obra que li acerca de mercado livreiro. Na verdade, o cerne de toda a obra é justamente a negociação de obras impressas raras e manuscritos. Trama magnífica, dinâmica e bem amarrada, foi adaptada para o cinema num trabalho "marromenos" de Roman Polanski com Johnny Depp no papel principal (The Ninth Gate ou O Último Portal, de 1999). Achei bacana transcrever a passagem acima porque mantem total relação com esta postagem, a qual traz sugestão de documentário, ao final, e algumas considerações pessoais acerca de livro físico e leitura digital.

Gosto bastante de sebos, bibliotecas e livrarias físicas. Fazia postagens a respeito no blogue anterior e, recentemente, fiz algo similar aqui quando comentei o livro A Biblioteca: Uma História Mundial e mostrei minha atual mini biblioteca após mudança de residência. Esses ambientes, contudo, vão ficando cada vez mais apenas na memória, à medida que livrarias fecham e sebos só se mantém em pé no meio eletrônico, mesmo assim não praticando bons preços e superestimando livros ditos raros que, no máximo, andam meio esgotados. Outro grande problema é o estado de qualidade, de conservação. Já topei com volumes caindo aos pedaços, sem sobrecapa e riscados sendo vendidos por preços extorsivos porque o pseudo Mercador de Livros o elevou ao status de raridade. Coisas do Brasil, creio, onde tudo é caro.

Gosto do pequeno documentário realizado pela Estácio sobre livreiros de usados: Sebos & Sábios. Havia recomendado no site antigo e, agora, vendo que não republiquei a postagem, aproveito para fazê-lo. Certamente não concordo com todo o afirmado pelos profissionais entrevistados. No entanto, o documentário ficou bacana e, no Youtube, não encontro nada similar de melhor qualidade. Por mais que andem numa fase esquisita, sebos são locais pelos quais cultivo certo carinho. Confesso não gostar tanto da palavra sebo. O português lusitano com seu "alfarrabista" é mais interessante. Ou até mesmo somente "livraria de usados, raros ou antigos". Dizem que sebo derivaria do inglês SEcond hand BOok ou do engorduramento em capas de livros usados quando da leitura, no passado, sob luz de vela. Certeza acerca da origem, ninguém possui. Ainda penso que a palavra foi escolhida, deveras, por sua conotação aviltante e nada mais. Se não escolhida, mantida por este motivo.

Há algum tempo venho equilibrando meu prazer pela leitura entre o suporte tradicional de papel e o meio eletrônico. Tudo começou quando ganhei de presente o Kobo Glo de alguém especial. Meio torci o nariz de início, mas me apaixonei aos poucos pela praticidade e economia. Poder ler à noite, com as luzes apagadas, aumentando fontes e margens, é mais que bem vindo na minha idade onde a visão cansa. Para HQs, utilizava tablet com 9.5", o qual me vi coagido a deixar definitivamente com minha filha, de tanto ela pedir e não largá-lo mais. Assim, comprei outro com 10.5" e afirmo: é maravilhoso para ler quadrinhos.

Fui alguém que comprou muitos livros em livrarias. Algumas pessoas mais jovens até sorriam. Um estagiário em meu serviço chegou a zombar porque eu comprava em livraria física, mais caro, ao invés de apenas em lojas on line. Tentei lhe explicar o prazer que sentia ao estar numa livraria, pequena ou megastore, folheando livros e tomando café e, finalmente, sair com algo em mãos. Eu, realmente, fiz minha parte pela sobrevivência do setor, dentro de minhas limitações e possibilidades. Mesmo sendo um consumidor para o qual as editoras e corporações livreiras sequer prestavam atenção, estava lá, torrando grana  por meu prazer mais íntimo, pro meu deleite pessoal e, claro, porque sabia que, sem um público parecido comigo, tudo aquilo acabaria. O tempo mostrou que tais negócios não se sustentavam mais, amiúdes.

Em suma, curtam o documentário a seguir e abraços.








segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Cachimbo de metal em torno mecânico


Sou um aficionado por coisas do tipo "faça vocês mesmo". Gosto de ter e de usar ferramentas. Nenhuma loja, para mim, é tão atraente quanto as de ferramentas, ferragens, parafusos, máquinas agrícolas e similares. Talvez por residir há anos numa pequena cidade onde prestação de serviço é quase inacessível, tive que me virar nos trinta. No começo, mas por necessidade, mesmo. Hoje, por prazer. É gratificante colocar furadeira, chaves diversas e serrote para trabalhar e, assim, obter resultados satisfatórios. Um homem que não conserta o máximo de coisas dentro de casa é um sujeito pela metade - penso.

Há canais interessantes sobre o assunto no Youtube. E outros que vão além, com grandes profissionais do metal, madeira ou couro realizando belas obras de arte bastante funcionais. Também me interessam os de cutelaria, conquanto eu nunca tenha tentado fazer uma faca. Entretanto, gosto de ter facas e as uso bastante para cuidar de bobagens em meu pequeno quintal ou quando vou à roça. Para defesa pessoal e necessidades diversas, também sempre ando ao menos com uma faca ou canivete.  Assisto a canais como o do DiResta pelo prazer de admirar a execução de um belo serviço, e não porque vou tentar fazer algo daquele porte.

Há algum tempo também acompanho o canal do Engineer BrunS, essencialmente sobre trabalhos realizados em torno mecânico. Considerando minha paixão por tabaco, cachimbos e trabalho manual em geral, é gostoso demais ver o cara produzindo um cachimbo artesanal. Assim, achei interessante compartilhar o vídeo acima e falar um pouco sobre ele.

No trabalho foram utilizados o seguintes materiais: duralumin, titânio, latão, cobre e ebonite. A peça remete a um cilindro automotivo, similar aos que fez a Porsche com sua linha de cachimbos. As reentrâncias no fornilho, além da beleza, são funcionais, pois permitem que o usuário não tenha tanto contato com o calor, em mãos. O resultado é belíssimo e, creio, funcional. Acho que não chega a esquentar tanto diante do espaço diminuto do fornilho. Não há como inserir tanto fumo ali, para longas baforadas. Deveras, há um preconceito entre os aficionados com o metal; este é mais usado nos pipes de usuários de drogas como crack e alguns poucos maconheiros. Até hoje, só vi metal na haste dos cachimbos Falcon, em alumínio.

Enfim: o trabalho ficou lindo. Seria uma bela peça para ser posta à venda e, creio, atrairia muitos aficionados por baforadas.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Twin Peaks na Netflix



Fire walk with me.

No Black Lodge, Laura Palmer avisou ao agente Dale Cooper que o veria, novamente, em 25 anos. E Twin Peaks está de volta, agora na Netflix. Como grande fã dessa mitologia desenvolvida por David Lynch e o roteirista Mark Frost, estou acompanhando a nova temporada. Há muitos anos, cheguei a comprar as caixas com as duas primeiras temporadas. Não havia oportunidade de assistir em lugar algum, a internet não tinha uma banda residencial satisfatória e, mesmo que possuísse, não havia onde baixar todos os episódios.

Para quem assistiu às duas primeiras temporadas da série bem como ao longa que o complementa, o destino do agente Cooper foi uma demorada incógnita. Agora, após 25 anos, sabemos o que houve. Aparentemente, ele está preso no Black Lodge e seu dopplegänger macabro comete, há décadas, atrocidades sádicas. Diferente das sessões anteriores, agora a trama se passará noutras cidades, como Nova Iorque e Dakota do Sul.

Não vou me estender muito aqui sobre o que representou Twin Peaks, dando fôlego aos programas feitos para a televisão, elevando o seriado a outro patamar. É graças ao brilhantismo dessa realização que, depois, tivemos shows como Família Soprano, A Sete Palmos, Mad Men Breaking Bad, por exemplo. O mundo se perguntou "Quem matou Laura Palmer?" assim como, no Brasil, apostaram em quem teria assassinado Odete Roitman na telenovela Vale Tudo. A ocupação definitiva dos programas para a TV estava consolidada e não precisaríamos mais ir ao cinema para usufruir algo de melhor qualidade estética e narrativa. 

Abaixo, os deixo com dois vídeos. No primeiro, trecho do momento onde Laura revela que, após exatos 25 anos, teríamos, novamente, o reencontro de vários daqueles personagens; no seguinte, mostro um pouco dos boxes que ainda possuo.


Twin Peaks por kleiton-alves

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Angeli 24 Horas [ Curta ]


Desconhecia a existência do curta Angeli 24 Horas (2010), da cineasta (diretora e roteirista) Beth Formaggini - uma das subscritoras do Manifesto de artistas e intelectuais Pró-Dilma. Vi esta semana, por acaso, na Tv Brasil, e adorei. No mini documentário, o gênio dos cartuns e das tirinhas nos fala um pouco acerca de seu trabalho, de sua rotina. Narra-nos até mesmo um pouco dos desafios físicos que enfrenta para manter a produção regular, como dores nas costas, por exemplo.

O que mais me chamou atenção foram suas revelações sobre as mudanças de paradigma ocorridas em sua obra. Isso já notamos: com o tempo, ele deixou o humor fácil e vendável de lado e ingressou por outros caminhos, menos comerciais e mais sujeitos à participação do leitor na interpretação. Logo, passou a receber mais críticas por isso. O artista fala de suas razões para abandonar definitivamente seus personagens mais icônicos (Rê Bordosa, Bob Cuspe e Skrotinhos), bem como a influência de Laerte nesta resolução. Para quem gosta do trabalho de Angeli (tenho alguns livros seus na estante e, aqui, já mostrei um pouco de O Lixo da História), vale a pena assistir.

O filme teve apoio do "Bolsa-Artista" sob responsabilidade do Governo Federal e seu poderoso Ministério da Cultura, que, no final das contas, decide quem será agraciado com recursos da Lei nº 8.313/1991; esta poderosa norma que decide, por exemplo, se Chico Buarque dará - ou não - apoio a uma determinada legenda política. Mesmo assim, fico feliz que exista essa possibilidade de recursos coaptados pela lei; pois, às vezes, somos agraciados com projetos bacanas como esse trabalho.