segunda-feira, 5 de julho de 2021

The Many Saints of Newark

No blogue anterior, havia postagem sobre Família Soprano. Neste, quando escrevi O mundo fake em Arquivo X, a mencionei dentro de meu Top 5 Seriados. Fico sempre em dúvida qual seria a melhor série de TV vista por mim. Família Soprano está sempre ali, disputando a pole position.

Conheci a disfuncional família mafiosa na HBO, quando assinava o canal. Acho que em 2002/2003. Depois, me mudei, não assinei mais nada e optei por ir comprando os boxes no ritmo em que saiam por aqui, os quais ainda guardo numa prateleira empoeirada cheia de DVDs que, creio, jamais serão revistos. Há poucos anos, recomendei o seriado à minha esposa, que o maratonou em semanas e afirmou ser a melhor, ao lado de Breaking Bad. E isso considerando que ela prefere programas de humor, como Two and a Half Men e The Big Bang Theory.

Sopranos foi impecável em tudo, desde a melhor vinheta de abertura realizada aos pôsteres de Annie Leibovitz (cópias descaradas dos trabalhos de Gregory Crewdson, suponho). Falando em fotografia, não sei como mantiveram o nível tão elevado, durante todos os episódios das seis temporadas. A recorrência a sonhos (abordagem meio junguiana, me parece), chegou a lembrar Twin Peaks e como nosso subconsciente, às vezes, atua de maneira quase sobrenatural. Em dois episódios, Tony descobre traições durante o sono ou delírio, processando (em suspensão) informações as quais não eram bem analisadas quando desperto.

Acima, quando mencionei disfuncional, não foi apenas quanto à sua família de sangue (esposa, filhos etc.), mas também em sua famiglia mafiosa, a Cosa Nostra de New Jersey e sua delicada relação com os bandidos de New York. E acredito piamente que David Chase criou seus personagens mantendo contatos com a máfia ainda então ativa nas cidades retratadas, assim como Mario Puzo quando escreveu O Poderoso Chefão convivendo, boa parte da vida, entre criminosos, ainda que enquanto outsider.

Em setembro, chegará à telona The Many Saints of Newark, com Michael Gandolfini interpretando o personagem que eternizou seu pai, James, falecido há quase dez anos. A semelhança física é grande e, no trailer, nos deparamos com todos os elementos essenciais à série: a raiva e a melancolia de Tony Soprano, sua mãe tóxica, a tentação pelo mau caminho e o apego à religiosidade.

Que venha esta "prequela", com bastante molho de tomate, cafezinhos tomados em frente ao Satriale's Pork Store, crises existenciais, chumbo e banhos de sangue intermináveis.